Da Redação

Uma operação de grande escala da Polícia Federal colocou no centro das investigações nomes conhecidos do funk e da internet. A ação, batizada de “Narco Fluxo”, resultou na prisão de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa, criador da página Choquei, além de outros suspeitos espalhados pelo país.

A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em cerca de dois anos. Segundo a PF, a organização criminosa utilizava o setor do entretenimento como fachada para ocultar recursos provenientes de atividades ilegais, como tráfico de drogas, apostas clandestinas e rifas digitais.

Como funcionava o esquema

De acordo com os investigadores, o grupo operava com diferentes estratégias para dificultar o rastreamento do dinheiro. Entre elas estavam a pulverização de valores por meio de eventos e vendas, uso de dinheiro em espécie, transações com criptomoedas e a participação de terceiros para ocultar os verdadeiros beneficiários.

Artistas e influenciadores teriam papel relevante nesse modelo. A popularidade dessas figuras ajudaria a dar aparência de legalidade às movimentações financeiras, funcionando como uma espécie de “escudo” para o esquema.

Alcance nacional e apreensões

A operação ocorreu simultaneamente em diversos estados e no Distrito Federal, com a participação de mais de 200 agentes. Ao todo, foram expedidos dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão.

Durante as ações, a polícia apreendeu carros de luxo, joias, dinheiro em espécie, armas, documentos e equipamentos eletrônicos. Também houve bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens dos investigados, numa tentativa de interromper o fluxo financeiro do grupo.

Quem são os principais alvos

MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os artistas mais populares do funk atualmente e, segundo a investigação, teriam ligação com o esquema financeiro investigado. Já Raphael Sousa, responsável pela página Choquei, é apontado como alguém que ajudaria a dar visibilidade e aparência legítima às operações.

As prisões aconteceram em diferentes locais: Poze foi detido no Rio de Janeiro, Ryan em São Paulo e Raphael em Goiânia.

O que dizem as defesas

As defesas dos envolvidos negam irregularidades. Os advogados dos artistas afirmam que as movimentações financeiras são legais e declaradas. Já a defesa do criador da Choquei sustenta que sua atuação se limita à prestação de serviços publicitários, sem qualquer participação em organização criminosa.

Investigações continuam

A Polícia Federal trata o caso como um desdobramento de operações anteriores e não descarta novas fases. Os investigados podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.

O caso segue em andamento e deve avançar com a análise do material apreendido, além de novos depoimentos e possíveis desdobramentos judiciais.