SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar oscilava nesta terça-feira (5) com os investidores reagindo aos desdobramentos econômicos da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao temor por uma escalada tarifária dos EUA ao Brasil.
A divulgação da ata da mais recente reunião do Banco Central também entrou no radar do mercado de câmbio. No documento, o colegiado do BC reforçou que o cenário externo está “mais adverso e incerto” em alusão à política comercial de Donald Trump.
Às 10h35, a moeda norte-americana caia 0,05%, cotada a R$ 5,501. Já a Bolsa subia 0,81%, a 134.058 pontos, impulsionada pelas ações da Embraer com alta de 2,78%.
Na última segunda-feira (4), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), presidente do Brasil entre 2019 e 2022 e réu em processo sobre uma trama golpista no final de seu governo.
O magistrado afirmou que o ex-presidente descumpriu determinação anterior ao aparecer em vídeos exibidos por apoiadores durante manifestações no domingo (3). Bolsonaro estava proibido de usar redes sociais, mesmo que por intermédio de outras pessoas.
A decisão do ministro da Suprema Corte promete acirrar os ânimos no âmbito doméstico e internacional. Integrantes do governo Lula (PT) admitiram, sob reservas, a possibilidade de a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Bolsonaro exasperar o presidente Trump a dois dias da adoção das sanções anunciadas por ele contra o Brasil.
Horas depois da prisão domiciliar do ex-presidente ser decretada, o governo Donald Trump disse condenar a decisão do ministro Alexandre de Moraes e que responsabilizará aqueles que ajudarem “condutas sancionadas” do magistrado.
O posicionamento foi feito por meio de post no X (ex-twitter) na página do Escritório para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, que trata da diplomacia americana.
Aliados do presidente Lula reconhecem que Trump pode usar a decisão como pretexto para obstruir negociações após o americano impor, em ato assinado na semana passada, uma sobretaxa de 50% a produtos importados do Brasil, com uma lista de quase 700 exceções o tarifaço entra em vigor nesta quarta-feira (6).
Segundo João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos, com o fim do prazo determinado por Donald Trump, cresce a ansiedade. “A reação da Casa Branca nas próximas horas será crucial para determinar o rumo do câmbio no restante da semana”.
Em ata divulgada nesta terça pelo BC (Banco Central), o colegiado da instituição diz acreditar que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros tem impacto relevante sobre setores, e que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve ter cautela na condução da política de juros.
No documento, o colegiado reforçou que o cenário externo está “mais adverso e incerto” em função da política comercial do governo de Donald Trump.
“A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo”, afirmou.
O Copom disse acompanhar com atenção os potenciais impactos das tarifas sobre a economia real e sobre o comportamento dos ativos financeiros e afirmou que terá como foco os reflexos do cenário externo sobre a inflação doméstica à frente.
Na última quarta (30), o Copom decidiu manter inalterada a taxa básica de juros em 15% ao ano maior patamar em 19 anos, interrompendo o ciclo de alta da Selic.
O Brasil será sobretaxado em 50%, a maior tarifa até o momento. Apesar disso, o país se beneficiou de uma isenção para cerca de 700 produtos exportados aos EUA.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve tentar ampliar a lista de exceções para poupar mais empresas. Os negociadores esperam que as tratativas se arrastem por um longo período.
Uma das apostas é na abertura de um canal de diálogo do ministro Fernando Haddad (PT), da Fazenda, com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Essa ponte poderia permitir, em outro momento, uma ligação entre Trump e o presidente Lula.
Em evento em Brasília, Lula disse que há limites na negociação e demonstrou preocupação com a relação diplomática entre os dois países.
“O governo tem que fazer aquilo que ele tem que fazer. Por exemplo, nessa briga que a gente está fazendo agora, com a taxação dos Estados Unidos, eu tenho um limite de briga com o governo americano. Eu não posso falar tudo que eu acho que eu devo falar, tenho que falar o que é possível, porque eu acho que nós temos que falar aquilo que é necessário”, disse.
“Não queremos confusão. Quem quiser confusão conosco pode saber que nós não queremos brigar. Agora, não pensem que nós temos medo”, reforçou.





