SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Enquanto o mundo corre atrás de minerais críticos, o governo brasileiro toma seu tempo para elaborar um plano de exploração para as commodities.

Também aqui: tarifas deixam brasileiros pessimistas com o futuro da economia, Portugal tem vinho para dar e vender e outros destaques do mercado nesta terça-feira (5).

**E AQUELE PLANO, SAIU?**

Todo mundo tem aquela tarefa que adia por dias, semanas, meses… até que a entrega é cobrada e fica chato dizer que você ainda não a concluiu, ainda que tenha tido muito tempo para isso.

É mais ou menos essa a relação entre o Planalto e os minerais críticos: a gestão Lula ensaia a criação de um documento que regularize a exploração das commodities —um plano que, se estivesse pronto, poderia ajudar o Brasil nas negociações com os EUA.

Os minerais críticos recebem esse nome por serem essenciais para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia, como aqueles usados na geração de energia limpa, carros elétricos, celulares e chips.

Entre os elementos do grupo estão nióbio, grafite (grafeno), níquel e terras raras. A falta deles pode causar graves impactos econômicos.

MOEDA DE TROCA

O governo Trump já sinalizou que o acesso a esses itens será um componente central de sua política externa e tem demonstrado isso na relação com diferentes países, como Ucrânia, China e o próprio Brasil.

O tema voltou a ganhar destaque depois que o encarregado de negócios da Embaixada dos EUA afirmou que os EUA têm interesse nos minerais críticos em solo brasileiro, em meio à sobretaxa de 50% que os americanos impuseram às exportações daqui.

INTERESSE REPENTINO?

Nem tanto. Os americanos querem fugir da dependência da China para o fornecimento desses materiais —hoje o país asiático é líder mundial em extração e refino dos minérios.

Um estudo da consultoria Deloitte apontou que, dos 50 elementos considerados críticos para a economia e a segurança nacional dos EUA, 12 vêm totalmente do exterior. No caso de outros 29 minerais, a dependência externa é de mais de 50%.

E O BRASIL COM ISSO?

A intenção do governo de apresentar um plano voltado a minerais estratégicos já é anunciada desde o primeiro ano do atual mandato de Lula.

Apesar das sucessivas promessas de uma proposta que atacasse os gargalos do setor e elevasse a produção, o documento nunca foi concluído e apresentado. A ideia é finalizar o plano até o fim deste ano.

**BAIXO ASTRAL**

Tarifas para lá, inflação para cá… está difícil manter a paz e o amor hoje. Uma pesquisa do Datafolha indica que o pessimismo está tomando os brasileiros: 45% acreditam que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses.

Importante: o levantamento foi feito depois do anúncio da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

OS NÚMEROS

O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses subiu de 33% para 45% na comparação entre as pesquisas realizadas em meados de junho e no final de julho.

Esse é o segundo pior resultado verificado na série histórica iniciada em 2019.

O maior índice negativo foram os 65% de março de 2021, quando houve a segunda onda da pandemia de Covid-19.

O patamar atual é mais que o dobro do verificado em dezembro de 2023 (22%), melhor resultado apurado na gestão atual do presidente Lula (PT).

Entre os que tomaram conhecimento sobre o tarifaço, 50% estão pessimistas em relação aos próximos meses.

E mais… outro recorte da pesquisa mostra que 89% dos brasileiros acreditam que os encargos americanos vão prejudicar a economia e 77% também veem impacto negativo na situação econômica pessoal.

SEM NOVIDADES

Para 51% dos brasileiros com 16 anos ou mais, a economia já piorou nos últimos meses.

Na pesquisa feita em junho, essa era a percepção de 47% dos entrevistados. No início do governo Lula, 35% faziam a mesma avaliação.

↳ A avaliação de que houve piora na situação recente do país está em 54% entre os que tomaram conhecimento sobre o tarifaço e 40% entre os que dizem desconhecer o assunto.

PROBLEMAS EM CASA

Para 22% dos entrevistados, a sua situação econômica pessoal irá piorar nos próximos meses, número que também é o maior registrado desde março de 2021 (38%). Em junho deste ano, eram 14%.

**CHORANDO PELO VINHO DERRAMADO**

Para os amantes de vinho, aí vai uma imagem dolorida: litros e litros da bebida preciosa sendo queimados, desperdiçados em vez de consumidos.

Nos últimos anos, Portugal gastou mais de 75 milhões de euros para queimar vinho que estava sobrando nas adegas e os produtores nacionais não conseguiam vender.

Neste ano, já foram anunciados mais 13 milhões, pelo menos —esse número ainda não está fechado—, só para o Douro, que vive uma crise sem precedentes.

O Vale do Douro é uma região vinícola no norte de Portugal. Lá, são produzidos alguns dos rótulos portugueses mais famosos.

Sim, mas… o país importa mais vinho do que o necessário há anos, segundo dados levantados pelo jornal português Público.

Em 2024, os estoques da bebida superavam os 1,28 milhões de litros, após a temporada de produção vinícola de 2023 e 2024 ter superado o consumo interno em 17,4%.

O vinho que o país importa é quase todo a granel e vem da Espanha.

Segundo a Andovi (Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas), Portugal importará cerca de 300 milhões de litros de vinho por ano, o que equivale a cerca de um milhão de garrafas por dia.

CONTRA O RELÓGIO

O país europeu está a poucas semanas do início da colheita de uvas viníferas e ainda tem estoques cheios de vinho para escoar.

Em 2025, as importações do produto da Espanha estão mais lentas, mas, ainda assim, só nos primeiros quatro meses do ano, foram importados 58,9 milhões de litros.

Ao mesmo tempo, Portugal espera mais uma safra que supere a demanda de consumo interna.

Sem garantia. Os produtores ainda se queixam da falta de fiscalização de qualidade na produção e comercialização dos vinhos a granel importados, o que expõe o setor a fraudes.

Ainda, a ausência de preocupação com a vigilância sanitária e de origem diminui os custos dos produtores externos. Isso os coloca em vantagem competitiva em relação aos vinicultores portugueses, que precisam gastar com certificações regionais e nacionais.

**O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER**

Sumiu das prateleiras. O morango do amor, sobremesa que viralizou nas redes sociais, encareceu as caixas do “morangão”, que chegam a custar R$ 70 em São Paulo.

Eureka! A BP (British Petroleum) anunciou sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos na bacia de Santos.

Sinal verde. Ministros brasileiros autorizaram a reclamação contra os EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio) por tarifas de Trump. Para iniciar a ação, no entanto, é necessária a aprovação do presidente Lula.

Sinal vermelho. Os bancos de Wall Street estão alertando os investidores para a possibilidade de queda no mercado de ações dos EUA.

Plano B. Fabio Abrate, delator da Americanas no caso de fraude fiscal, disse ao MPF (Ministério Público Federal) que a recuperação judicial seria um caminho alternativo para fazer as contas da companhia fecharem