Da Redação
A escritora britânica J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter, afirmou ter recebido ameaças de morte, estupro e tortura nos últimos anos em razão de suas posições sobre direitos das mulheres e questões relacionadas à população trans. Em um novo ensaio publicado em seu site pessoal, a autora declarou que suas opiniões permanecem as mesmas, apesar das críticas e dos episódios de intimidação que diz ter enfrentado.
O texto foi divulgado na quarta-feira (21) e atualiza as reflexões apresentadas por Rowling em 2020, quando suas declarações sobre identidade de gênero provocaram uma onda de críticas nas redes sociais. Na publicação mais recente, ela afirma que o debate se intensificou e que sua atuação no tema passou a envolver também o apoio financeiro a iniciativas jurídicas relacionadas aos direitos das mulheres.
Segundo Rowling, as ameaças recebidas incluíram mensagens violentas e ataques pessoais. A escritora afirma que foi alvo de insultos e de manifestações que defendiam seu cancelamento, agressão física e morte após questionar expressões utilizadas para se referir às mulheres.
Escritora defende suas posições sobre direitos das mulheres
No ensaio, Rowling sustenta que sua preocupação está relacionada à preservação de espaços exclusivos para mulheres, como vestiários, banheiros e serviços de acolhimento destinados a vítimas de violência sexual. Para ela, as políticas relacionadas à identidade de gênero precisam considerar questões de segurança e as necessidades específicas das mulheres.
A autora também critica o que classifica como uma corrente predominante do ativismo trans. Em sua avaliação, esse movimento exerce influência sobre instituições e debates públicos de maneira que pode prejudicar a defesa de direitos femininos.
Rowling afirma que mulheres com menos recursos financeiros e maior vulnerabilidade social seriam mais afetadas pelas consequências dessas discussões. Ela também critica mulheres influentes e figuras públicas que, segundo sua interpretação, apoiam determinadas pautas sem enfrentar os mesmos problemas que mulheres em condições menos privilegiadas.
Apesar das críticas ao ativismo trans, a escritora declarou reconhecer que existem pessoas trans em situação de vulnerabilidade. No texto, afirmou ser contrária à discriminação dessa população no acesso à moradia e ao emprego, assim como à retirada de direitos humanos ou à negação de segurança pessoal.
Polêmica começou em 2020
As declarações de Rowling sobre identidade de gênero ganharam grande repercussão em junho de 2020, quando a escritora ironizou a expressão “pessoas que menstruam”, utilizada em um artigo sobre desigualdade no período posterior à pandemia de Covid-19.
Na ocasião, ela questionou por que não se utilizava simplesmente a palavra “mulheres”. A publicação foi criticada por pessoas e organizações que consideraram a manifestação desrespeitosa à população trans, especialmente às mulheres trans e às pessoas que não se identificam com o gênero feminino, mas menstruam.
Desde então, a autora passou a se posicionar frequentemente sobre o tema, defendendo a distinção entre sexo biológico e identidade de gênero. Suas manifestações provocaram divergências entre leitores, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e profissionais ligados à franquia Harry Potter.
No novo ensaio, Rowling afirma que as críticas e as ameaças não a fizeram mudar de opinião. Ela também declarou que continuará utilizando recursos próprios para auxiliar mulheres que precisam de apoio financeiro para levar disputas judiciais aos tribunais.
Apoio a serviços para vítimas de violência sexual
A escritora também mencionou o trabalho da Beira’s Place, organização fundada por ela em Edimburgo, na Escócia, em 2022. O serviço oferece apoio a mulheres que sofreram violência sexual e adota um modelo de atendimento direcionado ao público feminino.
Rowling afirmou que pretende continuar garantindo a manutenção de iniciativas voltadas ao acolhimento dessas mulheres. A organização e as posições públicas da escritora estão inseridas no debate sobre a definição de espaços exclusivos por sexo e as condições de acesso de pessoas trans a esses serviços.
O tema ganhou novos desdobramentos no Reino Unido após uma decisão da Suprema Corte britânica, em 2025, que interpretou o termo “mulher” na legislação de igualdade com base no sexo biológico. A decisão ampliou as discussões sobre a aplicação de políticas de igualdade e os direitos da população trans.
Atrizes de Harry Potter já criticaram posições da autora
As declarações de Rowling também provocaram divergências com integrantes do elenco dos filmes de Harry Potter. Emma Watson, Daniel Radcliffe e Rupert Grint, que interpretaram Hermione Granger, Harry Potter e Ron Weasley, respectivamente, já manifestaram apoio aos direitos das pessoas trans e se distanciaram das posições defendidas pela escritora.
Em ocasiões anteriores, Rowling criticou publicamente manifestações de Watson sobre o assunto, demonstrando que as divergências ultrapassaram o debate nas redes sociais e atingiram relações entre a autora e antigos integrantes da franquia.
No encerramento do novo ensaio, Rowling afirmou que não pretende abandonar suas manifestações públicas sobre o tema. Ela declarou que continuará defendendo suas convicções e apoiando financeiramente mulheres envolvidas em disputas judiciais, além de manter o trabalho de assistência a vítimas de violência sexual.







