Um abaixo-assinado que pede a implementação de um sistema de checagem de fatos em tempo real durante o debate presidencial da TV Globo ultrapassou 930 mil assinaturas nesta quarta-feira (21). A iniciativa cobra que as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) sejam verificadas durante a transmissão, marcada para sexta-feira (23), às 21h20.

Até as 15h45 desta quarta-feira, a petição reunia mais de 936 mil apoiadores na plataforma Change.org. O documento foi criado por Rafael Brito e ganhou força após o debate entre os dois candidatos realizado pela TV Bandeirantes no domingo (18), quando declarações dos presidenciáveis foram posteriormente questionadas por agências de checagem.

A mobilização defende que informações incorretas ou distorcidas sejam esclarecidas durante o confronto, permitindo que os eleitores avaliem os argumentos apresentados pelos candidatos com acesso imediato a dados verificados.

Petição cobra transparência durante o debate

O texto do abaixo-assinado afirma que o debate anterior foi marcado por episódios de desinformação, apesar da presença de jornalistas experientes. Para os organizadores, a circulação de informações falsas sem esclarecimentos imediatos pode prejudicar a compreensão dos eleitores e enfraquecer a confiança no processo democrático.

A iniciativa argumenta que os debates presidenciais devem servir para apresentar propostas, confrontar argumentos e permitir que a população tome decisões com base em informações confiáveis.

Os responsáveis pela mobilização também defendem que afirmações comprovadamente falsas não recebam o mesmo tratamento que informações sustentadas por dados e fatos verificados.

O documento foi direcionado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao presidente da Globo, João Roberto Marinho, ao diretor-geral de Jornalismo da emissora, Ricardo Villela, e ao jornalista César Tralli, responsável pela mediação do debate.

Segundo Rafael Brito, a checagem em tempo real já foi adotada em outros países e poderia contribuir para melhorar a qualidade das discussões eleitorais no Brasil.

Debate da Band motivou mobilização

A campanha ganhou força depois do encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band, no último domingo. Durante o programa, os candidatos trocaram acusações e apresentaram informações sobre temas como gastos públicos e desempenho da economia brasileira.

Entre as declarações questionadas está a afirmação de Flávio Bolsonaro de que Lula e a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, teriam gastado R$ 7 bilhões com viagens. O valor mencionado corresponde a despesas de diferentes órgãos do governo federal, e não exclusivamente às viagens do presidente e da primeira-dama.

Lula também fez uma afirmação sobre o crescimento econômico do país. O presidente declarou que a economia brasileira só voltou a crescer acima de 3% após seu retorno ao Palácio do Planalto, em 2023. Entretanto, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro também apresentou crescimento superior a esse patamar em anos anteriores, durante os governos de Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Após o debate, agências de checagem analisaram declarações dos dois candidatos e publicaram avaliações sobre informações apresentadas durante o confronto.

Último debate antes do segundo turno

O encontro organizado pela TV Globo está marcado para sexta-feira (23), às 21h20, dois dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, previsto para domingo (25).

A proximidade da votação aumenta a importância do debate para os candidatos, que terão mais uma oportunidade de apresentar propostas, responder a questionamentos e tentar conquistar eleitores indecisos.

A petição busca pressionar a emissora a incorporar a verificação de informações durante a transmissão, em vez de deixar a análise exclusivamente para as publicações posteriores ao programa.

Até o momento, o número de assinaturas demonstra a dimensão alcançada pela mobilização, mas não significa que a TV Globo tenha confirmado a adoção da checagem de fatos ao vivo. A implementação do mecanismo depende de uma decisão da emissora, que não havia anunciado oficialmente a mudança nas regras do debate.