Diretor-geral da Polícia Federal se reúne com presidente do Supremo nesta terça-feira (13) para apresentar informações extraídas dos celulares de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel.

A Polícia Federal (PF) deve entregar nesta terça-feira (13) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, informações relacionadas ao caso Banco Master que mencionam integrantes da Corte. O encontro será realizado entre Fachin e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e tem como objetivo apresentar elementos obtidos a partir da análise de celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e de seu cunhado, Fabiano Zettel.

A reunião foi solicitada pela própria Polícia Federal e ocorre em meio à repercussão de informações sobre possíveis relações entre investigados do caso e integrantes do Judiciário. O material reúne referências a ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de menções a familiares de magistrados.

Fachin já havia manifestado interesse institucional na apuração de eventuais fatos envolvendo integrantes do Supremo. Em ofício encaminhado a Andrei Rodrigues no início de outubro, o presidente da Corte afirmou que as informações deveriam ser examinadas sem distinção de pessoas e que os encaminhamentos necessários seriam definidos após o recebimento de um conjunto completo de elementos.

Segundo informações divulgadas sobre a reunião, a Polícia Federal pretende disponibilizar o material ao tribunal para que sejam avaliadas as providências cabíveis. A existência de menções a magistrados, por si só, não comprova a prática de irregularidades ou crimes.

Relatórios individuais dependem de decisão do Supremo

A produção de relatórios específicos sobre cada ministro dependerá da avaliação do próprio STF. Caso a Corte considere necessário aprofundar a análise individualizada, a Polícia Federal deverá definir se elaborará um documento único ou relatórios separados para cada magistrado mencionado.

As informações extraídas dos aparelhos celulares incluem referências a pelo menos seis dos dez ministros do Supremo, em diferentes contextos, além de citações a parentes de integrantes da Corte. Também há registros relacionados a ministros do STJ.

A apuração deverá considerar o contexto das mensagens e dos demais dados reunidos pela investigação, distinguindo referências circunstanciais de elementos que possam justificar diligências adicionais.

Fachin afirmou que existe interesse institucional na análise de todos os fatos relevantes relacionados ao caso. O ministro também declarou confiar na atuação independente da Polícia Federal e do Ministério Público, respeitadas as competências legais de cada instituição.

Caso já havia provocado questionamentos sobre Dias Toffoli

Esta não é a primeira vez que a Polícia Federal encaminha a Fachin informações sobre integrantes do Supremo relacionadas ao Banco Master.

Em fevereiro de 2026, o presidente da Corte recebeu um levantamento de aproximadamente 200 páginas com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O documento reunia referências ao ministro Dias Toffoli, incluindo registros de encontros e conversas relacionadas a pagamentos e a uma empresa vinculada à família do magistrado, a Maridt, associada ao resort Tayayá, no Paraná.

O material não correspondia a um relatório de indiciamento, mas a um levantamento de informações obtidas durante a análise dos aparelhos e de bancos de dados utilizados na investigação.

Na ocasião, a Polícia Federal apontou a possibilidade de existência de indícios que justificariam a avaliação de medidas jurídicas relacionadas aos fatos. O documento foi encaminhado às instâncias competentes para análise.

Toffoli negou irregularidades e contestou as interpretações atribuídas às informações. Posteriormente, deixou a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master, que passou ao ministro André Mendonça.

Crise no STF aumenta pressão por esclarecimentos

A entrega das novas informações ocorre em meio a uma crise institucional envolvendo ministros do Supremo e a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

O episódio ganhou força após a divulgação de informações sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, extraídas de documentos da Polícia Federal. A repercussão provocou questionamentos sobre a relação entre o empresário e integrantes do tribunal, além de divergências internas sobre o acesso aos dados e a condução dos procedimentos.

Fachin passou a atuar na tentativa de organizar a análise institucional dos fatos, solicitando informações aos envolvidos, incluindo ministros do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal.

As divergências também alcançaram a discussão sobre o compartilhamento de provas extraídas dos celulares de Vorcaro. Ministros defenderam acesso mais amplo aos registros, enquanto o relator do caso, André Mendonça, apontou a necessidade de preservar informações que possam comprometer diligências em andamento.

A disputa sobre o acesso aos documentos ampliou o desgaste entre integrantes da Corte e levantou discussões sobre transparência, sigilo investigativo e igualdade de acesso às provas.

Próximos passos dependem da análise das informações

Após o recebimento do material, caberá ao Supremo avaliar quais providências devem ser adotadas. Dependendo do conteúdo e da existência de elementos concretos, poderão ser solicitados esclarecimentos adicionais ou encaminhamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A análise também deverá respeitar as regras legais aplicáveis a investigações envolvendo magistrados e as competências das autoridades responsáveis por eventuais apurações.

Até o momento, a entrega do material não representa uma conclusão sobre a responsabilidade de qualquer ministro. O objetivo é permitir que as informações reunidas pela Polícia Federal sejam examinadas pelas instâncias competentes e que eventuais fatos relevantes sejam esclarecidos.

O caso Banco Master segue no centro de discussões sobre possíveis irregularidades financeiras, relações institucionais e os procedimentos adotados para investigar fatos que possam envolver autoridades públicas.