O Ministério Público do Rio Grande do Norte e a Polícia Civil investigam o caso de uma criança filmada segurando um objeto semelhante a uma arma de fogo durante uma comemoração de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL), em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. O episódio ocorreu na noite de domingo, 4 de outubro, após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.

As imagens mostram o menino sobre o teto de um veículo, vestindo uma camiseta verde e amarela e segurando o objeto enquanto participa da manifestação. Em outros registros que circularam nas redes sociais, ele aparece com um item semelhante a um fuzil. Até o momento, as autoridades não confirmaram se os objetos eram armas de fogo, réplicas ou brinquedos.

A Polícia Civil informou que os responsáveis pela criança já foram identificados e que as diligências estão em andamento. Entre as medidas adotadas estão a realização de depoimentos e outras ações para esclarecer as circunstâncias do episódio.

Ministério Público apura possíveis responsabilidades

A Promotoria de Justiça da área da Infância e Juventude de Parnamirim instaurou um procedimento para investigar o caso e identificar eventuais responsabilidades criminais.

O Conselho Tutelar do município também acompanha a situação, com atenção à segurança e aos direitos da criança. O órgão acionou as autoridades competentes para avaliar a necessidade de medidas de proteção.

Na quarta-feira, 7 de outubro, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, cobrou a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dos adultos envolvidos.

A investigação deverá esclarecer como o objeto chegou às mãos do menino, quem estava responsável por ele no momento da manifestação e se houve alguma conduta que coloque em risco sua integridade física ou psicológica.

Mãe procurou a Justiça após divulgação das imagens

A repercussão do caso levou a mãe da criança a procurar o Conselho Tutelar e buscar a regularização judicial da guarda do filho. Segundo informações divulgadas sobre o episódio, ela afirmou que não sabia que o menino havia acompanhado o pai à concentração política.

Os pais são separados há aproximadamente oito anos e mantinham um acordo informal sobre os períodos em que a criança ficava com cada um. Depois de receber as imagens por meio de conhecidos, a mulher decidiu recorrer à Justiça para formalizar a situação.

A mãe também restringiu temporariamente o contato do pai com o menino até que haja uma decisão judicial. Segundo relato feito ao Conselho Tutelar, o homem teria informado que o objeto exibido pela criança era uma arma de brinquedo.

A natureza do item, entretanto, ainda precisa ser esclarecida pelas autoridades.

Criança ficou abalada com a repercussão

Além da investigação sobre o episódio, o Conselho Tutelar acompanha os efeitos da exposição da criança nas redes sociais.

De acordo com informações repassadas ao órgão, o menino ficou emocionalmente abalado depois que os vídeos começaram a circular na internet. Ele teria chorado e demonstrado constrangimento com a repercussão das imagens.

A criança foi encaminhada para acompanhamento psicológico. A situação também levantou preocupações sobre a divulgação de imagens de menores de idade em contextos que possam comprometer sua segurança e seu bem-estar.

O caso reforça a importância de preservar a identidade e a integridade de crianças e adolescentes durante investigações, especialmente quando há suspeita de violação de direitos.

Polícia aguarda esclarecimento sobre o objeto

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte informou que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser adotadas conforme o avanço das diligências. Como o caso envolve uma criança, detalhes do procedimento estão sob sigilo.

Um dos pontos centrais é determinar se o objeto mostrado nos vídeos era uma arma de fogo real ou uma réplica. A resposta poderá influenciar a análise jurídica das condutas dos adultos envolvidos.

A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção à infância e estabelece restrições relacionadas ao acesso de crianças e adolescentes a armas de fogo. Eventuais responsabilidades, no entanto, dependerão da apuração dos fatos e das circunstâncias identificadas pelas autoridades.

Até o momento, não há confirmação oficial de que o menino estivesse com uma arma de fogo verdadeira nem conclusão sobre a ocorrência de crime.

O episódio aconteceu no bairro Cohabinal, em Parnamirim, durante uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro. A investigação busca esclarecer as circunstâncias da exposição da criança e verificar se houve violação de seus direitos.