Encontro durou mais de seis horas e contou com a participação de candidatos do PT e do próprio presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou, na segunda-feira (5), uma reunião de emergência em Brasília para avaliar o desempenho da legenda no primeiro turno das eleições e definir as estratégias para a segunda etapa da disputa presidencial.

O encontro começou por volta das 18h e avançou pela madrugada, terminando depois da meia-noite. Participaram governadores, senadores eleitos e não eleitos e outros candidatos do PT, além do próprio Lula.

Durante a reunião, foram apresentados planos específicos para diferentes estados, levando em consideração as características políticas e eleitorais de cada região. Goiás esteve entre os locais que receberam uma estratégia própria para a campanha do segundo turno.

Segundo integrantes do PT, a reunião serviu para colocar em prática medidas que já vinham sendo discutidas desde o primeiro turno, mas que agora ganharam prioridade diante do resultado das urnas.

Governo já esperava resultado negativo

Integrantes do partido afirmaram que o Palácio do Planalto já trabalhava com a possibilidade de um desempenho ruim de Lula no primeiro turno. Pesquisas internas de acompanhamento, conhecidas como trackings, teriam indicado um cenário ainda mais desfavorável do que o registrado oficialmente.

Apesar disso, aliados avaliam que algumas medidas adotadas pelo governo nos últimos meses começaram a produzir efeitos somente na reta final da campanha.

Entre as ações citadas estão mudanças relacionadas às apostas esportivas e o reajuste do Bolsa Família. Na avaliação de integrantes do entorno presidencial, essas medidas podem contribuir para uma recuperação da candidatura de Lula até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A expectativa dentro da campanha é de que o desempenho do presidente possa melhorar ao longo das próximas semanas.

Goiás é considerado um dos desafios

O resultado em Goiás aparece entre os principais desafios para a campanha petista. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Lula no estado por uma diferença de aproximadamente 863 mil votos.

O candidato do PL recebeu 2.051.888 votos, correspondentes a 53,60% dos votos válidos. Lula teve 1.188.880 votos, o equivalente a 31,06%.

Apesar da vantagem expressiva de Flávio na disputa presidencial, o PT conseguiu resultados positivos nas eleições proporcionais em Goiás.

A legenda ampliou sua representação na Assembleia Legislativa, passando de três para quatro deputados estaduais eleitos. Fabrício Rosa foi o segundo candidato mais votado para o cargo no estado, com cerca de 81,5 mil votos.

Na disputa para a Câmara dos Deputados, a Delegada Adriana Accorsi também garantiu a reeleição com uma das maiores votações de Goiás. Ela recebeu aproximadamente 177,1 mil votos, ficando na segunda colocação entre os candidatos.

Com o cenário definido no primeiro turno, a estratégia petista para Goiás deverá buscar ampliar a votação de Lula e reduzir a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro. Para isso, a campanha nacional deverá trabalhar de forma específica em cada estado, considerando os resultados e as características políticas locais.

A segunda etapa da eleição presidencial será realizada em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.