A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo se manifestou nesta quarta-feira (7) após a repercussão de mensagens enviadas em um grupo interno de profissionais do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia. Na conversa, ela teria orientado que pacientes não recebessem alta durante o fim de semana das eleições sob a justificativa de que “a maioria é petista”.
O caso foi levado ao Ministério Público Federal (MPF) e também passou a ser apurado pelas autoridades e órgãos responsáveis. Marcella foi afastada das funções na unidade após a repercussão das mensagens.
Em nota divulgada à imprensa, a médica pediu desculpas às pacientes, familiares, colegas, internos e ao hospital. Ela afirmou, porém, que as mensagens não chegaram a se transformar em uma conduta médica e negou que qualquer paciente tenha tido a alta atrasada ou negada por causa de posicionamento político.
Segundo Marcella, todas as pacientes foram avaliadas e tiveram as decisões sobre alta tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos.
“Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional”, afirmou a médica.
Marcella também declarou que nenhuma avaliação médica levou em consideração a preferência política das pacientes. Ao comentar o episódio, ressaltou que o voto é secreto e deve ser respeitado.
A profissional afirmou ainda que atua na realização de partos desde 2017 e que, ao longo da carreira, atendeu milhares de mulheres com diferentes origens e convicções.
“É esse compromisso que verdadeiramente orienta minha vida profissional”, declarou.
Hospital apura o caso
O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informou que as mensagens foram enviadas em um grupo interno e privado de profissionais e representam manifestações pessoais, sem relação com o posicionamento da administração da unidade.
A direção ressaltou que decisões relacionadas à internação, permanência hospitalar e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente. Segundo o hospital, preferências políticas, ideológicas, religiosas ou de qualquer outra natureza não podem interferir na assistência oferecida.
Após tomar conhecimento do episódio, a administração informou que adotaria os procedimentos internos necessários para apurar as circunstâncias do caso. A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também confirmou a adoção de medidas administrativas e reforçou às equipes a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A unidade também lamentou o episódio e reafirmou o compromisso com uma assistência impessoal, humanizada e tecnicamente orientada.
Cremego acompanha denúncia
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas em sigilo, conforme as normas que regulamentam os processos ético-profissionais.
O conselho também informou que solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição envolvida.
Até o momento, não há confirmação de que alguma paciente tenha efetivamente tido a alta negada ou atrasada em razão de sua preferência política. A médica nega que isso tenha ocorrido e sustenta que as decisões assistenciais foram tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos.
O caso segue sob apuração pelos órgãos competentes.








