Deputada federal eleita pelo PT aos 21 anos, mineira afirma que a esquerda precisa compreender a influência das redes sociais na formação da opinião pública
Eleita deputada federal por Minas Gerais aos 21 anos, Ana Elise, do PT, fez uma avaliação crítica sobre a estratégia de comunicação adotada pela esquerda após o primeiro turno das eleições de 2026. Em publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (5), a petista defendeu uma mudança na forma como o campo político se comunica com a população, especialmente no ambiente digital.
Para Ana Elise, a esquerda ainda não teria compreendido completamente a dimensão que as redes sociais alcançaram na política e na formação da percepção dos eleitores. Na avaliação da parlamentar eleita, a atuação nas ruas continua sendo importante, mas não pode ser dissociada da disputa de narrativas na internet.
A petista citou como exemplo a rotina de trabalhadores que utilizam o transporte público. Segundo ela, basta observar uma parada de ônibus em um horário de grande movimento para perceber que grande parte das pessoas está conectada ao celular.
“Às vezes o que falta para a própria esquerda aqui é tato com a realidade”, afirmou.
Na avaliação de Ana Elise, uma comunicação eficiente precisa considerar que a percepção da população pode ser influenciada pelas informações que circulam diariamente nas redes, independentemente de os indicadores econômicos ou sociais apresentados pelo governo serem positivos.
Ela argumentou que, mesmo diante de avanços em áreas como economia e poder de compra, uma narrativa negativa que consiga alcançar milhões de pessoas pode ter impacto significativo sobre a maneira como elas enxergam o país e o governo.
Crítica à comunicação do governo
A deputada eleita também mencionou ações realizadas durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo medidas relacionadas ao combate às apostas online. Para ela, entretanto, a existência de ações concretas não é suficiente quando elas não conseguem chegar de maneira eficiente ao público.
Na visão da petista, a comunicação precisa ser capaz de transformar realizações políticas em narrativas compreensíveis para a população. Caso contrário, medidas adotadas pelo governo podem não produzir o mesmo efeito na percepção pública.
A declaração ocorre em um momento particularmente importante para o PT. Lula terminou o primeiro turno sem conseguir a vitória definitiva e disputará o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro.
O próprio presidente reconheceu, após a primeira etapa da eleição, a necessidade de a campanha identificar os próprios erros e melhorar sua estratégia para os próximos dias. Lula também estabeleceu como um dos objetivos da reta final recuperar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
“Não existe mais separação entre redes e ruas”
Ana Elise defendeu uma integração maior entre a mobilização tradicional e a atuação digital. Para ela, manifestações, comícios e atividades presenciais continuam tendo importância, mas precisam caminhar ao lado de uma presença constante nas plataformas digitais.
A parlamentar afirmou que a esquerda precisa abandonar resistências em relação às novas formas de comunicação e reconhecer que o comportamento político da população mudou.
“Não existe mais separação de redes e ruas”, declarou.
Segundo Ana Elise, uma pessoa que participa de uma mobilização presencial pode compartilhar o conteúdo na internet e ampliar seu alcance, enquanto usuários que estão exclusivamente no ambiente digital também podem influenciar o debate político e mobilizar outras pessoas.
A petista defendeu, portanto, que o campo progressista passe a tratar as redes sociais como parte central da estratégia política, e não apenas como uma ferramenta complementar às atividades tradicionais de campanha.
Jovem foi eleita com cerca de 500 mil votos
Ana Elise ganhou destaque nacional durante as eleições de 2026 ao ser eleita deputada federal por Minas Gerais aos 21 anos. A petista recebeu cerca de 500 mil votos e passou a ser apontada como uma das representantes mais jovens da nova composição da Câmara dos Deputados.
A avaliação sobre comunicação ocorre justamente após o primeiro turno, marcado por forte disputa de narrativas nas plataformas digitais e pela consolidação de uma nova configuração política no país.
Para Ana Elise, o desempenho da esquerda no ambiente digital precisa ser revisto com urgência. Na avaliação dela, compreender como os eleitores consomem informação atualmente será fundamental para a disputa política e eleitoral dos próximos anos.







