O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia promover uma reformulação na comunicação de sua campanha para o segundo turno da eleição presidencial. Entre as possibilidades discutidas está a entrada do publicitário João Santana, antigo estrategista eleitoral do petista, para reforçar ou assumir o comando do marketing na nova etapa da disputa.
A mudança passou a ser considerada depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). O candidato petista recebeu 45,16% dos votos válidos, enquanto o senador alcançou 47,03%. Os dois disputarão novamente a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa, aliados de Lula avaliam que a estratégia adotada na primeira fase da eleição precisa ser revista. Uma das alternativas seria substituir Raul Rabelo, atual responsável pelo marketing da campanha, por João Santana. Outra possibilidade em discussão é manter a estrutura atual e apenas incorporar o publicitário à equipe.
João Santana é sondado pela campanha
De acordo com apurações publicadas nesta segunda-feira (5), emissários ligados a Lula foram encarregados de consultar João Santana sobre a possibilidade de participação na campanha do segundo turno. A eventual contratação depende, portanto, da disposição do publicitário em integrar o projeto eleitoral.
Santana é um nome conhecido do núcleo político de Lula. Ele comandou o marketing da campanha que levou o petista à reeleição em 2006 e também esteve à frente das campanhas presidenciais de Dilma Rousseff em 2010 e 2014.
O retorno do publicitário seria uma tentativa de aproveitar sua experiência em disputas presidenciais e, ao mesmo tempo, modificar a estratégia de comunicação para as três semanas que antecedem a votação definitiva.
Comunicação entra no centro das discussões
O desempenho do primeiro turno provocou uma avaliação interna na campanha petista. Aliados passaram a defender alterações na maneira como a candidatura vem se comunicando com o eleitorado e uma atuação mais coordenada entre os diferentes setores responsáveis pela campanha.
Raul Rabelo é atualmente o responsável pelo marketing. Ele é sócio do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, que também exerceu influência sobre a estratégia de comunicação eleitoral.
Dentro do grupo de apoio a Lula, há avaliações diferentes sobre o que fazer. Enquanto uma ala defende a substituição de Rabelo por Santana, outros aliados consideram suficiente reforçar a equipe com novos profissionais.
Também existe, segundo relatos, a avaliação de que o problema não estaria necessariamente na coordenação nacional. Nesse cenário, uma alternativa seria fortalecer as estruturas estaduais e ampliar a atuação diretamente nos municípios e junto aos eleitores.
Mudanças na Secom também são discutidas
A possibilidade de alterações não se limita à equipe de marketing. Aliados de Lula também discutem mudanças na Secretaria de Comunicação Social do governo.
Entre as sugestões que circulam está o nome do apresentador José Luiz Datena para assumir a pasta. Datena disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026, mas não conseguiu se eleger.
As discussões fazem parte de uma avaliação mais ampla da campanha após o resultado do primeiro turno. O objetivo é reorganizar a comunicação e encontrar estratégias capazes de ampliar o desempenho de Lula na segunda votação.
Lula promete uma nova fase da campanha
Depois da confirmação do segundo turno, Lula sinalizou que pretende mudar a postura da campanha. O presidente afirmou que uma nova etapa da disputa começaria e indicou que pretende intensificar o confronto político com Flávio Bolsonaro.
A campanha também deverá buscar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, além de ampliar as conversas com partidos e lideranças que ficaram fora da disputa presidencial direta.
Outro ponto considerado estratégico é a participação de Lula nos debates eleitorais. O presidente indicou disposição para enfrentar Flávio Bolsonaro nos confrontos previstos até a votação de 25 de outubro.
Experiência eleitoral de Santana
João Santana construiu uma longa trajetória no marketing político e participou de algumas das principais campanhas presidenciais brasileiras das últimas décadas.
Além da reeleição de Lula em 2006, ele foi responsável pela comunicação das campanhas que elegeram Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e garantiram sua reeleição em 2014.
O publicitário também trabalhou em campanhas eleitorais fora do Brasil. Sua trajetória, entretanto, foi posteriormente marcada pelas investigações da Operação Lava Jato. Em 2016, Santana e sua esposa e sócia, Mônica Moura, foram presos e posteriormente firmaram acordos de colaboração premiada.
Em 2026, Santana participou das campanhas de Ciro Gomes ao governo do Ceará e de ACM Neto ao governo da Bahia. Nenhum dos dois candidatos conseguiu vencer a eleição.
Caso seja confirmado na campanha de Lula, o publicitário retornará ao centro de uma disputa presidencial justamente em um momento de pressão sobre a candidatura petista.
Campanha busca reação no segundo turno
Com pouco mais de três semanas até a votação, a campanha de Lula trabalha para reduzir a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
A possível mudança no comando do marketing é uma das alternativas avaliadas para tentar alterar a dinâmica da disputa. Ao mesmo tempo, aliados discutem ajustes na comunicação, ampliação da presença nos estados e aproximação com lideranças políticas.
A decisão sobre a composição definitiva da equipe deverá fazer parte das discussões estratégicas da campanha nos próximos dias. A principal missão será transformar o resultado do primeiro turno e recuperar terreno diante do adversário antes da votação de 25 de outubro.







