O girassol (Helianthus annuus L.), planta nativa da América do Norte e da América Central, ganha destaque no Brasil, especialmente em estados do Centro-Oeste, pela sua versatilidade na indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética. Sua importância vai além do uso imediato, abrangendo a produção de biocombustíveis e nutrição animal. A cultura é favorecida por características como resistência à seca, baixa incidência de pragas e doenças, e adaptação a diferentes condições ambientais.
No Brasil, grande parte da produção de girassol é destinada à fabricação de óleo comestível, o qual se destaca pela qualidade nutricional, rica em ácidos graxos essenciais. O aumento nos hábitos alimentares da população contribui para um crescimento contínuo na demanda desse produto. Internacionalmente, segundo o USDA, a produção global de óleo de girassol deve atingir 23,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, consolidando sua posição como o quarto óleo vegetal mais produzido no mundo.
EXPANSÃO DA CULTURA NO CENTRO-OESTE
Em Goiás, o girassol tem se firmado como uma alternativa viável, especialmente na 2ª safra, em sucessão à soja. Com um ciclo de cultivo de cerca de 90 a 130 dias, o plantio ocorre predominantemente entre fevereiro e março, possibilitando colheitas entre junho e julho. Desde a safra 2016/17, a cultura viu um aumento significativo na sua área plantada, subindo de 16,6 mil hectares para uma previsão de 63 mil hectares na safra 2025/26.
Goiás conquistou a liderança nacional na produção de girassol na safra 2020/21, refletindo um crescimento expressivo de 229,4% na produção entre 2021/22 e 2025/26, passando de 21,8 mil toneladas para 71,8 miltoneladas. Entretanto, a produtividade apresenta oscilações significativas, com uma estimativa de 1,1 t/ha para a safra atual, uma queda de 27,8% em relação ao período anterior.
DESEMPENHO DE SAFRAS E CONDIÇÕES DE COLHEITA
Em agosto, a Conab informou que a produção de girassol em Goiás alcançou 72% da área cultivada, com condições das lavouras variando em diferentes regiões. A boa distribuição das chuvas no sul do estado favoreceu o cultivo, enquanto a falta de água impactou negativamente outras áreas, resultando em grãos de menor tamanho e qualidade regular. Regiões com baixa fertilidade do solo ou plantio fora da janela recomendada apresentaram os menores rendimentos, enquanto áreas bem manejadas produziram melhores resultados.
Em 2024, o girassol foi cultivado em 43 municípiosgoianos, com Rio Verde liderando a produção com 6,5 mil hectares, correspondendo a 12,7% da produção do estado. Destaca-se também o aumento expressivo em Chapadão do Céu, que viu sua colheita saltar de 480,0 toneladas em 2023 para 3,7 mil toneladas em 2024, quase um aumento de oito vezes.
EXPORTAÇÕES E MERCADO GLOBAL
No cenário internacional, as exportações brasileiras de óleo de girassol cresceram significativamente em 2026, com um aumento de 21,2% em valor e 20,4% em volume em comparação ao ano anterior. Entretanto, o Brasil ainda depende de importações para suprir seu mercado interno, com a Argentina sendo a principal fornecedora.
Contrapondo-se à importação nacional, Goiás não registrou compras externas de óleo de girassol em 2026, focando em exportações de sementes para semeadura. O município de Acreúna se destacou como principal exportador de sementes de girassol, com vendas que variaram ao longo dos anos, alcançando US$ 171,6 mil em 2022. O fortalecimento da cadeia produtiva do girassol tem potencial para reduzir a dependência de importações e aumentar a competitividade no mercado internacional.
SANIDADE VEGETAL E MEDIDAS DE CONTROLE
A sanidade vegetal é crucial para o sucesso do cultivo do girassol, já que a planta pode hospedar mais de 35 microrganismos patogênicos que prejudicam a produção. Em Goiás, um dos cuidados se direciona ao controle da ferrugem asiática da soja, que pode se proliferar em plantações de girassol em sucessão à soja. Para mitigar esses riscos, a Agrodefesaimplementa um programa específico, regulamentado pela Instrução Normativa nº 01/2022, que inclui cadastramento anual das lavouras e recomendações para o manejo adequado da cultura.
APROVEITAMENTO E TENDÊNCIAS DO GIRASSOL
Além da produção de óleo comestível, o girassol serve como insumo nas indústrias de cosméticos, nutrição animal e energia renovável. A torta e o farelo resultantes da extração do óleo são utilizados na alimentação de bovinos e suínos, ampliando a sinergia entre a produção de girassol e a pecuária. O cultivo de variedades com alto teor de ácido oleico torna-se uma tendência, atendendo demandas específicas da indústria alimentícia.
Com essas características, o girassol não apenas se posiciona como uma alternativa viável no cenário agrícola, mas também contribui significativamente para a diversificação do mercado e a sustentabilidade na produção. Sua adaptabilidade e potencial de utilização em diferentes cadeias produtivas sinalizam oportunidades de crescimento e inovação nos próximos anos.
Fonte: Acontece no País








