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Mensagens recuperadas pela Polícia Federal do celular da lobista Roberta Luchsinger mostram uma cobrança para que o ex-secretário de Saúde de Goiânia Quesede Ayres Henrique realizasse um pagamento de R$ 100 mil. A transferência ocorreu em novembro de 2024, quando Quesede já era investigado por suspeitas de desvio de recursos públicos.
A conversa, divulgada pelo Metrópoles, ocorreu em 8 de novembro daquele ano. Nas mensagens, Roberta pressiona o ex-secretário para que o dinheiro fosse transferido com urgência e afirma que precisava realizar um pagamento para uma pessoa que estaria prestes a embarcar.
“Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra. Que o homem tá me cobrando, criatura”, escreveu a lobista.
Quesede respondeu que o pagamento já estava sendo providenciado. Mais tarde, Roberta voltou a cobrar a transferência e perguntou se o valor havia sido enviado. Na mensagem, afirmou que a pessoa que receberia o dinheiro iria embarcar e continuava cobrando o pagamento.
Ainda naquela noite, uma empresa comercial de Goiânia transferiu R$ 100 mil para a conta da RL Consultoria, empresa de propriedade de Roberta Luchsinger.
Lulinha embarcou para Lisboa na mesma noite
A cobrança ganhou atenção dos investigadores porque, horas depois das mensagens, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, embarcou em um voo com destino a Lisboa, em Portugal.
O voo saiu do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite de 8 de novembro de 2024. As mensagens, porém, não identificam nominalmente quem seria o “homem” citado por Roberta nas cobranças feitas a Quesede.
A coincidência entre o pagamento e a viagem passou a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal. A existência dos diálogos, por si só, não comprova que o pagamento de R$ 100 mil tenha sido destinado a Lulinha ou que tenha relação direta com a viagem.
Ex-secretário era investigado em Goiânia
Quesede Ayres Henrique ocupou o cargo de secretário municipal de Saúde de Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz.
Em dezembro de 2024, ele se entregou à polícia depois de ser alvo de investigação relacionada a suspeitas de desvios de aproximadamente R$ 10 milhões na Secretaria Municipal de Saúde.
Segundo as investigações divulgadas na época, Quesede era suspeito de participar de um esquema envolvendo recursos públicos da pasta.
As novas mensagens recuperadas pela Polícia Federal agora passaram a ser analisadas dentro de um contexto mais amplo envolvendo as relações da lobista Roberta Luchsinger com agentes públicos e empresários.
Mensagens também citam pagamentos a Fábio
A cobrança dos R$ 100 mil não é o único diálogo recuperado pela PF que menciona pagamentos relacionados a “Fábio”.
Em uma conversa de 29 de novembro de 2024, Roberta pergunta ao motorista e auxiliar pessoal Ulisses Barbosa Viana Junior onde estava determinado dinheiro. Na sequência, determina que o valor seja levado até “Fábio”.
O motorista responde que estava a caminho de um depósito e informa que o dinheiro estava no porta-malas de um Volvo.
Roberta então orienta o funcionário sobre a entrega da quantia após um almoço no setor Cidade Jardim, em Goiânia. Segundo a mensagem, ele deveria utilizar um carro de aplicativo para deixar o dinheiro e depois seguir em outro veículo.
Em outro diálogo, de julho de 2024, Roberta encaminha o valor de R$ 26.809 ao motorista e afirma que era necessário “pagar mais isso para Fábio na TTW”.
Posteriormente, o funcionário envia um comprovante de depósito no mesmo valor para a TTW Group, empresa do setor de viagens utilizada por Roberta para organizar viagens internacionais.
Lobista chamou Lulinha de “sócio”
Outro conjunto de mensagens recuperadas pelos investigadores mostra Roberta Luchsinger se referindo a Fábio Luís Lula da Silva como “sócio”.
Em uma conversa de dezembro de 2023 com Quesede, a lobista afirmou: “Meu sócio é guloso, tá”. O ex-secretário respondeu concordando com a declaração.
A referência a Lulinha como sócio também aparece em outros diálogos analisados durante a investigação.
As mensagens fazem parte do material apreendido pela Polícia Federal durante as apurações envolvendo Roberta e sua relação com diferentes pessoas do setor público e empresarial.
Investigações tramitam no Supremo
As relações entre Roberta Luchsinger e Lulinha são atualmente analisadas em investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das apurações investiga suspeitas de tráfico de influência relacionadas ao Ministério da Saúde e à comercialização de medicamentos derivados de cannabis, incluindo produtos à base de canabidiol.
Outra frente trata de pagamentos que teriam sido realizados a pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há ainda uma investigação relacionada a possíveis atos de influência envolvendo a Dataprev.
As mensagens recuperadas do aparelho de Roberta fazem parte do material analisado pelos investigadores nesses procedimentos.
Defesa de Lulinha contesta conteúdo
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que não reconhece as mensagens divulgadas e que os diálogos apresentados não comprovariam a prática de qualquer crime por parte do empresário.
A defesa também argumenta que as mensagens divulgadas não constariam dos autos dos inquéritos que tramitam no Supremo.
Até o momento, a divulgação das conversas não estabeleceu, de forma definitiva, a finalidade do pagamento de R$ 100 mil nem comprovou que o dinheiro tenha sido destinado a Lulinha.
As circunstâncias da transferência, a origem dos recursos e a eventual relação entre os envolvidos continuam sendo analisadas pelas autoridades.








