Pesquisa aponta crescimento de 14 pontos percentuais em um ano e mostra que serviços gerais, venda de usados e entregas estão entre as atividades mais procuradas

A busca por uma fonte adicional de renda se tornou realidade para uma parcela significativa dos moradores de Goiânia. Segundo a pesquisa Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social 2026, 68% dos entrevistados na capital afirmaram ter realizado algum tipo de atividade extra nos 12 meses anteriores ao levantamento para complementar ou obter renda.

O percentual representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, quando 54% dos entrevistados haviam declarado recorrer a atividades adicionais. O crescimento registrado em Goiânia foi o maior entre as dez capitais analisadas.

Apesar do índice de 68% ser superior à média geral das cidades pesquisadas, que ficou em 61%, a diferença não é considerada estatisticamente significativa.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis (ICS), em parceria com a Ipsos-Ipec, com apoio da Fundação Grupo Volkswagen e cofinanciamento da União Europeia. A pesquisa ouviu 3,5 mil pessoas com 16 anos ou mais nas dez capitais, entre 1º e 20 de julho de 2026. Em Goiânia, foram entrevistadas 300 pessoas. A margem de erro estimada para a capital é de seis pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Serviços gerais lideram entre os chamados “bicos”

Entre os moradores de Goiânia que buscaram atividades para complementar a renda, os serviços gerais aparecem como a principal alternativa. A categoria inclui trabalhos como faxina, reformas, manutenção e jardinagem e foi mencionada por 26% dos entrevistados.

O índice representa uma alta em relação ao levantamento anterior, quando 19% haviam citado esse tipo de atividade.

A comercialização de roupas e outros produtos usados aparece na sequência. Em 2026, 15% dos participantes afirmaram recorrer a esse tipo de trabalho, contra 11% em 2025.

Outra alternativa utilizada pelos moradores da capital é o trabalho por aplicativos. Motoristas e entregadores foram mencionados por 10% dos entrevistados, ante 9% na pesquisa anterior.

Também aparecem entre as atividades citadas a venda ambulante, a produção de alimentos para comercialização, trabalhos manuais, revenda de cosméticos, serviços de beleza e aulas particulares.

Como os participantes podiam apontar mais de uma atividade, os percentuais não devem ser somados.

Goiânia registra maior crescimento entre as capitais

O salto de 54% para 68% colocou Goiânia entre as capitais com maior proporção de moradores recorrendo a uma fonte adicional de renda.

Belém e Salvador registraram 66% dos entrevistados afirmando ter realizado algum trabalho ou atividade extra. Fortaleza apareceu com 65%.

Porto Alegre teve crescimento de dez pontos percentuais, passando de 47% para 57%. Em Salvador, o índice avançou de 59% para 66%, enquanto São Paulo passou de 53% para 58%.

Manaus apresentou movimento contrário e registrou queda de 69% para 62%.

Considerando todas as dez capitais, 61% dos entrevistados afirmaram ter buscado alguma atividade adicional de renda nos 12 meses anteriores à pesquisa, acima dos 56% registrados na edição anterior.

Renda pessoal apresenta estabilidade para maior parte dos entrevistados

O levantamento também investigou como os moradores percebem a evolução da própria renda.

No conjunto das dez capitais, 45% afirmaram que a renda pessoal permaneceu estável nos 12 meses anteriores à entrevista. Outros 31% disseram que passaram a ganhar menos, enquanto 18% relataram aumento.

Os dados mostram que, mesmo diante de um mercado de trabalho com indicadores positivos, uma parcela relevante dos entrevistados ainda busca alternativas para ampliar os ganhos mensais.

Alimentação aparece entre os principais gastos

A pesquisa também analisou quais despesas exercem maior pressão sobre o orçamento das famílias.

A alimentação foi apontada como um dos principais gastos pelos entrevistados, seguida por despesas relacionadas à moradia e à saúde.

O levantamento também identificou mudanças nos hábitos de consumo. Entre as alterações observadas está o aumento da procura por ovos, enquanto parte dos entrevistados relatou redução na compra de carnes, laticínios e produtos hortifrutigranjeiros.

Os dados indicam que mudanças no consumo podem estar relacionadas à tentativa das famílias de adaptar o orçamento diante dos custos cotidianos.

Escolaridade maior nem sempre significa renda maior

Outro aspecto analisado pela pesquisa foi a mobilidade social entre gerações.

Entre os participantes das dez capitais, 73% afirmaram ter alcançado um nível de escolaridade superior ao dos pais quando comparados na mesma idade. Entretanto, apenas 46% disseram possuir uma renda maior do que a geração anterior na mesma fase da vida.

O levantamento mostra, assim, uma diferença entre a evolução educacional e o crescimento da renda. Embora a maior parte dos entrevistados tenha avançado em escolaridade em relação aos pais, esse avanço não aparece acompanhado na mesma proporção por ganhos financeiros.

A pesquisa também considerou aspectos como renda, moradia e percepção sobre as condições de vida para avaliar a mobilidade social nas capitais analisadas.

Pesquisa retrata cenário de busca por novas fontes de renda

Os resultados apontam que a renda complementar passou a integrar a estratégia financeira de muitos moradores das capitais brasileiras.

Em Goiânia, o movimento ganhou intensidade entre 2025 e 2026, com o percentual de entrevistados que afirmaram ter realizado atividades extras passando de 54% para 68%.

Os números incluem diferentes formas de trabalho, desde serviços gerais e venda de produtos usados até atividades realizadas por meio de aplicativos e produção de alimentos.

O levantamento, porém, não representa uma contagem de trabalhadores informais da capital. Trata-se de uma pesquisa de percepção e comportamento realizada com uma amostra de 300 moradores de Goiânia, sujeita à margem de erro de seis pontos percentuais.