O deputado federal Cezinha de Madureira (PL) era apresentado no meio jurídico de Goiânia como alguém capaz de facilitar o acesso ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo relato feito pelo jornalista Luis Costa Pinto, do Instituto Conhecimento Liberta.

A declaração foi dada nesta sexta-feira (18), durante o programa Desperta. Segundo o jornalista, a informação teria sido repassada por um empresário ligado aos setores de mineração e mercado imobiliário em Goiás.

De acordo com o relato apresentado por Luis Costa Pinto, o empresário teria afirmado possuir demandas judiciais que tramitavam no gabinete de André Mendonça e que recebeu a orientação de procurar Cezinha de Madureira para tentar solucionar as questões.

Ainda segundo o jornalista, a suposta intermediação estaria condicionada à contratação de duas profissionais: Valéria Rodrigues Linhares, ligada ao deputado, e uma ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira.

A informação divulgada pelo jornalista ocorre poucos dias depois de Cezinha se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.

Investigação da Polícia Federal

Cezinha de Madureira foi alvo de mandados de busca e apreensão em 14 de setembro, durante uma nova fase da Operação Transparência. A investigação apura suspeitas de negociação de influência sobre decisões de tribunais superiores.

Segundo informações apresentadas na decisão do ministro Flávio Dino, a PF investiga se o deputado teria utilizado sua posição e seus contatos para transmitir a terceiros a percepção de que possuía influência sobre ministros do STF.

Mensagens analisadas pelos investigadores também mencionam contatos envolvendo os ministros Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. A Polícia Federal, entretanto, informou não ter encontrado elementos que indiquem solicitação, aceitação ou recebimento de vantagens indevidas por integrantes do Poder Judiciário. Os ministros mencionados nos diálogos não são investigados como suspeitos no caso.

A investigação também envolve a advogada Valéria Rodrigues Linhares. Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em espécie que estavam em posse dela durante uma passagem pelo Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Relação com André Mendonça

A proximidade entre Cezinha e André Mendonça já havia sido registrada em outro episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Em março de 2025, Vorcaro se reuniu com Mendonça em São Paulo. O próprio ministro confirmou posteriormente que o encontro havia sido intermediado por Cezinha.

Segundo Mendonça, a reunião teve como assunto a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo relacionado ao pagamento de precatórios envolvendo a Agroindustrial Tabu, empresa do setor sucroalcooleiro. O ministro afirmou que o encontro não tratou da situação do Banco Master.

Mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro também indicaram que o advogado Ciro Rocha Soares e Cezinha participaram das articulações para aproximar o banqueiro do ministro. Os registros, contudo, não demonstram que Mendonça tenha atuado para beneficiar o Banco Master.

Jornalista afirma que informação será detalhada

Durante o programa, Luis Costa Pinto afirmou que a informação sobre a suposta atuação de Cezinha em Goiânia será detalhada em uma reportagem da Revista Liberta, prevista para ser publicada neste sábado (19).

O Jornal Opção informou que não encontrou, nos registros públicos consultados do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), processos de empresários goianos relacionados a Valéria Rodrigues Linhares.

Advogados de Goiás que atuam no STF também foram consultados sobre a alegação e afirmaram não ter conhecimento de uma relação desse tipo. Também não foram identificados, nos registros consultados, processos ligados a empresários dos setores de mineração e mercado imobiliário de Goiás que tivessem André Mendonça como relator.

Valéria Rodrigues Linhares e o gabinete de Cezinha de Madureira foram procurados para comentar as acusações, mas não haviam apresentado resposta até a publicação da reportagem.

A investigação da Polícia Federal permanece em andamento, e as suspeitas atribuídas aos investigados ainda dependem da apuração e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.