A relação entre Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, não seria suficiente para impedir a participação do magistrado no julgamento que analisa a possibilidade de investigação do ministro Alexandre de Moraes. A avaliação é de um advogado ouvido sobre o caso.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal revelaram que ele manteve contato frequente com Rodrigo Fux entre 2024 e 2025. Os diálogos mostram conversas pessoais, tentativas de marcar encontros e uma aproximação que também envolveu assuntos profissionais.
Apesar da proximidade, não há, até o momento, indicação de que Luiz Fux tenha participado diretamente de negociações entre o filho e o ex-banqueiro ou de que tenha recebido valores de Vorcaro.
Conversas entre Rodrigo Fux e Daniel Vorcaro
Os primeiros registros de contato entre Rodrigo Fux e Vorcaro identificados no material são de maio de 2024. As mensagens mostram os dois combinando encontros em diferentes cidades e mantendo uma relação de proximidade.
Em novembro daquele ano, Vorcaro procurou Rodrigo para conversar sobre um assunto que não foi detalhado nas mensagens. O então banqueiro chegou a dizer que queria pedir ajuda ao advogado em um “caso”.
Os diálogos também registram a tentativa de realização de uma chamada de vídeo e outros encontros presenciais. Em determinadas conversas, Rodrigo Fux trata Vorcaro de maneira próxima e os dois também trocaram convites para eventos sociais.
Em outro momento, Rodrigo teria orientado Vorcaro a encaminhar um e-mail para a secretária de Luiz Fux no STF. O conteúdo do contato não foi esclarecido.
Aproximação profissional não teria sido concretizada
A assessoria de Rodrigo Fux afirma que houve uma tentativa de aproximação comercial, mas que ela não resultou em contratação ou prestação de serviços ao Banco Master ou a Daniel Vorcaro.
O escritório Fux Advogados também declarou que nunca recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas ligadas ao ex-banqueiro.
A versão apresentada é de que a relação entre Rodrigo e Vorcaro não resultou em atuação profissional efetiva que pudesse envolver o ministro Luiz Fux.
Uma proposta de delação apresentada anteriormente por Vorcaro também mencionava uma possível contratação do escritório de Rodrigo Fux para atuar em assuntos relacionados a precatórios. Segundo o próprio relato, entretanto, o negócio não teria avançado.
Relação não configuraria impedimento, segundo advogado
Na avaliação jurídica divulgada sobre o episódio, a existência de uma relação entre um filho de ministro e uma pessoa envolvida em processos analisados pelo STF não significa, automaticamente, que o magistrado esteja impedido de participar de determinado julgamento.
Para caracterizar impedimento ou suspeição, seria necessário avaliar as circunstâncias concretas, especialmente a existência de interesse direto do ministro, vínculo profissional com uma das partes ou outros elementos capazes de comprometer sua imparcialidade.
No caso de Luiz Fux, as informações divulgadas até agora não apontam que ele tenha mantido relação profissional direta com Vorcaro ou que tenha recebido qualquer pagamento do empresário.
Julgamento envolve investigação sobre Alexandre de Moraes
As novas informações vieram à tona justamente no momento em que o STF analisa um pedido para investigar Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro.
O pedido tem como base um relatório da Polícia Federal que identificou 187 interações entre Moraes e o ex-banqueiro. As investigações também analisam contratos firmados entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro.
Moraes contesta a existência de elementos que indiquem a prática de crime e afirmou que o relatório utilizado para embasar o pedido não apresenta indícios suficientes para uma investigação criminal.
A situação ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens envolvendo familiares de outros ministros do STF e pessoas próximas à Corte.
Outros ministros também aparecem nas mensagens
Além de Luiz Fux, as investigações e documentos relacionados ao caso Master revelaram contatos de Vorcaro com pessoas ligadas a outros integrantes do Supremo.
Entre os casos está o de Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mencionam pagamentos relacionados a uma consultoria da qual Kevin é sócio. Ele nega ter recebido valores diretamente de Vorcaro ou ter prestado serviços ao Banco Master.
Também foram identificados contatos entre Vorcaro e pessoas próximas ao ministro André Mendonça, que é responsável por questões relacionadas ao caso Master no STF.
A divulgação dessas informações aumentou a pressão sobre a Corte justamente durante o julgamento envolvendo Alexandre de Moraes.
Apesar das diferentes relações identificadas, os casos precisam ser analisados individualmente para determinar se existe fundamento jurídico para eventual impedimento ou suspeição de cada ministro.








