Operação foi aprovada pelo Conselho Deliberativo e busca regularizar pendências com elenco e garantir salários até o fim da temporada
O Goiás Esporte Clube aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 21 milhões para enfrentar a atual crise financeira e regularizar compromissos com jogadores e comissão técnica. A operação recebeu aval do Conselho Deliberativo durante reunião extraordinária realizada nesta terça-feira (8).
Como garantia da negociação, o clube disponibilizou o Centro de Treinamento Coimbra Bueno, localizado no Jardim Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. De acordo com posicionamento oficial do Goiás, o dinheiro obtido deverá ser utilizado para quitar dívidas com o elenco e assegurar o pagamento dos salários até o encerramento da temporada.
A reunião também analisou uma proposta apresentada pela BaladaAPP. A empresa pretendia assumir, por cinco anos, a gestão do programa de sócio-torcedor, além de atuar na comercialização de ingressos e ter sua marca estampada na camisa do clube. O Conselho Deliberativo, no entanto, considerou os valores oferecidos abaixo do esperado e rejeitou o acordo.
Crise financeira
A busca por novos recursos ocorre em meio a um cenário financeiro delicado no Goiás. O balanço referente a 2025 apontou déficit de R$ 98,11 milhões e patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 49 milhões.
Naquele período, o endividamento total do clube chegava a cerca de R$ 114 milhões, enquanto os ativos eram estimados em aproximadamente R$ 65 milhões. A situação demonstra que, contabilmente, o patrimônio disponível não era suficiente para cobrir todas as obrigações existentes.
Parte do desequilíbrio financeiro foi atribuída ao planejamento realizado anteriormente, que considerava a possibilidade de o Goiás disputar a Série A. Com a permanência na Série B, o clube precisou rever as projeções e adequar despesas à nova realidade. O custo médio mensal do departamento de futebol era estimado em cerca de R$ 8 milhões.
Os problemas com pagamentos se tornaram públicos ainda no primeiro semestre. Em maio, o diretor de futebol Michel Alves confirmou que havia uma folha salarial em atraso, além de pendências referentes aos direitos de imagem dos jogadores.
Parte dos valores foi posteriormente regularizada, mas os problemas financeiros permaneceram. Em julho, a diretoria ainda tratava a quitação das pendências como prioridade antes de avançar em novas contratações.
O Goiás também renegociou, em junho deste ano, um empréstimo de R$ 25 milhões contratado junto ao Banco de Brasília (BRB) em 2025. O prazo inicialmente previsto para pagamento era de 31 meses e foi ampliado para 60 parcelas.
Transfer ban
Outro problema enfrentado pelo clube ocorreu em agosto, quando o Goiás recebeu um transfer ban relacionado a uma dívida envolvendo o volante Jhonny Lucas e o Sint-Truiden, da Bélgica.
A punição impedia o clube esmeraldino de registrar novos jogadores. A pendência, porém, foi quitada e a restrição retirada oficialmente em 25 de agosto.
Apesar de garantir recursos para atender compromissos imediatos, a contratação do novo empréstimo também amplia as obrigações financeiras futuras do Goiás, já que o valor recebido deverá ser posteriormente pago pelo clube.
Clássico pela Série B
Em meio às dificuldades fora de campo, o Goiás se prepara para um confronto importante na Série B do Campeonato Brasileiro. O time enfrenta o Vila Nova nesta quinta-feira (10), às 19h30, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), pela 27ª rodada da competição.
No primeiro turno, o Goiás venceu o rival por 1 a 0 na Serrinha. Agora, a equipe esmeraldina precisa de um resultado positivo para continuar na disputa pelo acesso. O clássico será realizado com torcida única do Vila Nova.







