Da Redação
Roberta Luchsinger exibe viagens e rotina de alto padrão nas redes sociais, mas enfrenta cobranças judiciais e está na mira de investigação relacionada ao esquema de descontos irregulares do INSS
A empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrenta processos relacionados a dívidas não pagas em São Paulo e Minas Gerais. Ao mesmo tempo, publicações feitas por ela nas redes sociais mostram uma rotina marcada por viagens internacionais e visitas a estabelecimentos de alto padrão.
Além das cobranças judiciais, Roberta também aparece em investigações da Polícia Federal (PF) que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília.
Credores que recorreram à Justiça para tentar receber valores relatam dificuldades para localizar a empresária nos endereços informados nos processos. As buscas judiciais por patrimônio também não teriam identificado bens ou recursos disponíveis em contas bancárias que pudessem ser penhorados para o pagamento das dívidas.
Em duas ações judiciais, Roberta alegou não possuir condições financeiras para arcar com as despesas dos processos. A situação contrasta com a imagem apresentada por ela nas redes sociais, onde compartilha registros de viagens e experiências associadas a um padrão elevado de consumo.
Empresária aparece em investigação da PF
O nome de Roberta Luchsinger também aparece nas investigações da Polícia Federal relacionadas ao chamado esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo a investigação, Roberta teria apresentado Lulinha ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que está preso preventivamente.
Os investigadores apuram ainda a suspeita de que a empresária tenha participado da movimentação de recursos e de estruturas empresariais supostamente utilizadas para lavagem de dinheiro.
A RL Consultoria e Intermediações Ltda., empresa ligada a Roberta, recebeu aproximadamente R$ 1,5 milhão de uma consultoria relacionada ao lobista. A empresa responsável pelo repasse é apontada pelos investigadores como uma possível fachada.
As apurações fazem parte da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos realizados em benefícios do INSS. A estimativa é de que as irregularidades investigadas tenham movimentado valores que resultaram em prejuízo de cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Em dezembro de 2025, Roberta foi alvo de uma operação de busca e apreensão.
Sobre a proximidade com Lulinha, a empresária já confirmou publicamente que mantém amizade com o filho do presidente. Em entrevista ao Fantástico, afirmou que os dois chegaram a considerar projetos conjuntos na iniciativa privada, mas que qualquer atividade envolvendo Fábio Luís poderia ser alvo de questionamentos em razão da relação familiar dele com Lula.
Relação com a política
A trajetória de Roberta Luchsinger no meio político ganhou maior projeção a partir de 2011, quando ela se casou com o então deputado federal Protógenes Queiroz, filiado ao PCdoB. O relacionamento terminou em 2014.
Anos depois, em 2017, Roberta ganhou repercussão ao anunciar que faria uma doação milionária ao presidente Lula.
Em 2018, ela entrou diretamente para a política partidária e disputou uma vaga de deputada estadual pelo PT em São Paulo, mas não foi eleita.
A empresária também já se apresentou publicamente como descendente de um dos fundadores do banco suíço Credit Suisse. Entretanto, registros civis citados na apuração apontam que o avô dela nasceu no Rio de Janeiro e trabalhava como proprietário de uma lavanderia.
Questionada sobre a suposta ascendência suíça, Roberta afirmou não possuir documentos capazes de comprová-la.
Projeto de documentário terminou em disputa por dívida
Um dos episódios envolvendo cobranças contra a empresária está relacionado à produção de um documentário sobre Horacio Pagani, fundador da fabricante italiana de carros esportivos de luxo Pagani.
O projeto teria orçamento estimado em US$ 4 milhões.
Para iniciar as filmagens enquanto aguardava a liberação de recursos de um suposto fundo de investimentos do Bahrein, Roberta teria recorrido a um empréstimo-ponte de aproximadamente US$ 300 mil, equivalente a cerca de R$ 1,5 milhão na cotação daquele período.
Nesse contexto, o empresário Lauro Vallejo teria sido convencido a participar da operação como avalista. Uma fazenda localizada no interior de Minas Gerais foi oferecida como garantia.
Em troca, Vallejo teria direito a uma participação na arrecadação do documentário e receberia uma comissão de aproximadamente R$ 40 mil.
O negócio, porém, terminou em prejuízo para o empresário. Segundo relato concedido por ele ao Fantástico, a propriedade acabou sendo tomada pelo credor.
Vallejo afirmou que havia aceitado participar da operação diante da promessa de receber parte da bilheteria do filme e uma comissão. Para ele, a perda da fazenda representou não apenas um prejuízo patrimonial, mas também a perda de um projeto pessoal construído ao longo dos anos.
Tapeceiro cobra dívida desde 2011
Outro credor que procurou a Justiça foi o tapeceiro Nilton Cézar Pires.
Segundo o profissional, ele foi contratado por Roberta em 2011 para realizar uma ampla reforma nos móveis da residência da empresária.
O trabalho envolveu diferentes peças da casa, incluindo sofás e camas. O serviço teria sido concluído e entregue conforme combinado, mas o pagamento, no valor de aproximadamente R$ 61 mil, não teria sido realizado.
Sem conseguir receber o dinheiro diretamente, Nilton decidiu recorrer ao Judiciário para cobrar o valor.
O profissional afirmou ao Fantástico que todo o serviço contratado havia sido executado e entregue, mas que, diante da ausência do pagamento e da falta de uma solução por outros meios, restou a alternativa de ingressar com uma ação judicial.
Os diferentes processos de cobrança avançam paralelamente às investigações conduzidas pela Polícia Federal. Até o momento, as suspeitas envolvendo a empresária no caso investigado pela Operação Sem Desconto permanecem sob apuração, e eventual responsabilidade criminal dependerá do andamento das investigações e das decisões da Justiça.








