Da Redação
Valor estava na caminhonete de empresário que morreu com as duas filhas em Cocalzinho de Goiás; dinheiro ficará disponível aos herdeiros após inventário
Os R$ 67 mil encontrados na caminhonete do empresário Wilker Renato Almeida da Silva, de 29 anos, após o grave acidente ocorrido na BR-414, em Cocalzinho de Goiás, serão depositados em juízo pela Polícia Civil. Posteriormente, o dinheiro poderá ser destinado aos herdeiros da vítima por meio do processo de inventário.
Wilker morreu ao lado das duas filhas, de 4 e 8 anos, após a caminhonete em que estavam se envolver em uma colisão na última sexta-feira (21). O caso ganhou repercussão depois que o irmão do empresário, Robeilton Junior, afirmou que havia cerca de R$ 1 milhão dentro do veículo no momento do acidente.
Segundo a versão inicialmente apresentada à Polícia Civil, aproximadamente R$ 870 mil estariam em espécie. Robeilton declarou que seria o proprietário do dinheiro e que os valores teriam sido acumulados a partir de pagamentos de clientes em bazares de venda de calças jeans realizados nos últimos dois anos.
Ele também afirmou que teria solicitado ao irmão que transportasse a quantia até a residência da mãe da família, localizada na zona rural de Cocalzinho, onde o dinheiro seria guardado.
As declarações, porém, despertaram a atenção dos investigadores, especialmente porque nenhuma quantia próxima ao valor mencionado havia sido encontrada durante os procedimentos realizados após o acidente.
Investigação apurou suposto desaparecimento
Diante da denúncia sobre o possível desaparecimento do dinheiro, a Polícia Civil abriu uma investigação para esclarecer se a quantia realmente estava na caminhonete e, caso estivesse, o que teria acontecido com ela após a colisão.
Sob responsabilidade do delegado Carlos Alfama, a apuração envolveu diversas diligências. Pessoas que participaram do atendimento da ocorrência, do resgate e da retirada das vítimas foram ouvidas.
Os investigadores também realizaram uma análise para verificar se a quantidade de dinheiro mencionada pelo irmão poderia, de fato, ser transportada no espaço da caminhonete indicado por ele.
Conforme as investigações avançaram, surgiram inconsistências no relato apresentado inicialmente.
Irmão admite que inventou história sobre R$ 1 milhão
Confrontado com os elementos reunidos pela Polícia Civil, Robeilton voltou atrás e reconheceu que a história sobre a existência de R$ 1 milhão no veículo não era verdadeira.
Ele explicou aos investigadores que ouviu comentários de pessoas presentes no local do acidente indicando que poderia existir uma grande quantidade de dinheiro dentro da caminhonete. Entre os presentes, teria circulado inclusive a informação de que o montante poderia ultrapassar R$ 1 milhão.
O irmão da vítima afirmou que estava abalado emocionalmente pela morte de Wilker e das sobrinhas e que decidiu apresentar a versão por receio de sofrer algum prejuízo caso realmente houvesse dinheiro desaparecido.
Por causa das informações falsas fornecidas durante a investigação, ele deverá ser indiciado por falso testemunho.
R$ 67 mil pertenciam ao empresário
Apesar de a suposta quantia milionária não existir, a Polícia Civil confirmou que R$ 67 mil em dinheiro foram efetivamente encontrados dentro da caminhonete.
Em um primeiro momento, Robeilton também tentou declarar que esse valor lhe pertencia. Após novos questionamentos dos investigadores e diante das contradições apresentadas, ele reconheceu que os R$ 67 mil eram de propriedade do irmão.
Com o esclarecimento, a Polícia Civil informou que o dinheiro será depositado judicialmente. A quantia deverá permanecer vinculada ao processo e poderá ser disponibilizada aos herdeiros de Wilker após os procedimentos relacionados ao inventário.
Motorista e proprietário de caminhão devem ser indiciados
A Polícia Civil também concluiu a investigação relacionada às circunstâncias do acidente que provocou a morte do empresário e das duas crianças.
De acordo com o delegado Carlos Alfama, o caminhão envolvido na colisão possuía nove eixos e não poderia circular no período noturno nas condições em que trafegava.
A apuração também apontou que o motorista teria realizado uma ultrapassagem em trecho proibido antes da colisão.
Diante dos elementos reunidos durante o inquérito, o condutor e o proprietário do caminhão deverão ser indiciados por três homicídios culposos, quando não há intenção de matar.
Wilker Renato Almeida da Silva e as duas filhas morreram no acidente ocorrido no dia 21 de agosto, na BR-414, em Cocalzinho de Goiás. O episódio e a posterior denúncia sobre o suposto desaparecimento de R$ 1 milhão mobilizaram a Polícia Civil até o esclarecimento da origem e do destino do dinheiro efetivamente localizado no veículo.




