Ao todo, 115 militares estrangeiros participarão do Exercício Formosa 2026, que será realizado entre 3 e 25 de setembro em Goiás e no Distrito Federal
O Ministério da Defesa autorizou a entrada e a permanência temporária no Brasil de militares dos Estados Unidos, França e Paraguai. Os estrangeiros participarão do Exercício Formosa 2026, treinamento realizado em conjunto com as Forças Armadas brasileiras em áreas de Goiás e do Distrito Federal.
A autorização foi assinada pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e publicada nesta quarta-feira (26) no Diário Oficial da União. Ao todo, 115 militares estrangeiros estão autorizados a permanecer no território brasileiro durante as atividades.
O maior contingente será dos Estados Unidos, com 55 militares. A França enviará outros 40 integrantes, enquanto o Paraguai participará com 20 militares. O exercício está previsto para ocorrer entre os dias 3 e 25 de setembro de 2026.
Militares norte-americanos entrarão com armamentos
A autorização do Ministério da Defesa também permite que o contingente dos Estados Unidos ingresse no Brasil acompanhado dos materiais necessários para as atividades de treinamento.
Entre os itens estão armamentos, munições, equipamentos optrônicos, materiais de comunicação e outros equipamentos de emprego militar utilizados durante os exercícios.
Os equipamentos optrônicos combinam recursos ópticos e eletrônicos e podem ser utilizados, por exemplo, na detecção, observação, identificação e acompanhamento de alvos.
A entrada e a permanência dos militares foram autorizadas com base na Lei Complementar nº 90, de 1º de outubro de 1997, que estabelece regras para situações envolvendo forças estrangeiras em território brasileiro.
A decisão também foi encaminhada aos ministérios da Justiça e Segurança Pública e das Relações Exteriores, além dos comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e das representações diplomáticas dos três países em Brasília.
Exercício Formosa ocorre desde 1988
O Exercício Formosa é realizado pela Marinha do Brasil desde 1988 e tem como principal objetivo promover treinamentos que simulam situações de combate, contribuindo para manter a capacidade de pronta atuação dos fuzileiros navais.
O nome da operação está relacionado ao Campo de Instrução de Formosa, localizado no município goiano de mesmo nome. A estrutura é tradicionalmente utilizada para a realização das atividades militares.
Desde 2021, o treinamento deixou de contar exclusivamente com a atuação da Marinha e passou a integrar também militares do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira. Com isso, os exercícios passaram a estimular a atuação conjunta das três Forças Armadas.
Na edição de 2026, além das forças brasileiras, haverá participação dos contingentes dos Estados Unidos, França e Paraguai.
Operação gerou controvérsia em 2021
O Exercício Formosa ganhou repercussão política em 2021, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Naquele ano, antes da realização do treinamento, um comboio formado por veículos blindados, armamentos e outros equipamentos da Força de Fuzileiros da Esquadra passou por Brasília. A movimentação ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia a proposta de adoção do voto impresso nas eleições.
Parlamentares da oposição ao governo Bolsonaro interpretaram a passagem dos veículos militares pela capital federal como uma tentativa de pressionar ou constranger o Congresso Nacional em meio às discussões sobre a proposta.
A Marinha negou qualquer relação entre a movimentação militar e a votação no Legislativo e afirmou, na ocasião, que a passagem fazia parte da programação relacionada ao exercício militar.
Em 2026, a autorização concedida pelo Ministério da Defesa é específica para a participação dos militares estrangeiros nas atividades do Exercício Formosa entre 3 e 25 de setembro, em Goiás e no Distrito Federal.




