Da Redação
Caso foi registrado em 2025 e consta em relatório do Cimi; adolescente afirmou ter sido entregue ao homem pelos próprios pais após acordo financeiro
Uma adolescente indígena de 13 anos foi vítima de violência sexual em Aragarças, na região oeste de Goiás. O caso consta no Relatório de Violência Contra os Povos Indígenas – Dados de 2025, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Segundo o documento, a menina relatou que sofria abusos desde os 12 anos e que havia sido entregue pelos próprios pais a um homem de 57 anos mediante um acordo financeiro.
A situação veio à tona em agosto de 2025, durante uma abordagem realizada pela Polícia Militar na BR-070. Os agentes pararam uma caminhonete e encontraram a adolescente acompanhada do homem.
Conforme o relato registrado pelo Cimi, a menina contou que os pais teriam permitido que ela permanecesse com o homem em troca de benefícios financeiros. Segundo a adolescente, ele realizava transferências via Pix para a mãe dela, além de entregar dinheiro e presentes.
A vítima afirmou ainda que não queria continuar com o homem e que era submetida a abusos sexuais desde os 12 anos. Ela também relatou episódios de violência psicológica e disse que tinha medo tanto do suspeito quanto da reação dos próprios pais.
Abusos afetaram desempenho escolar
Ainda de acordo com o documento, a violência também provocou consequências na rotina escolar da adolescente. Ela contou que passou a enfrentar dificuldades para estudar e apresentou queda no desempenho e nas notas.
Durante o atendimento, a menina manifestou o desejo de receber ajuda para sair da situação em que se encontrava.
Após a abordagem na rodovia, o homem foi conduzido para uma delegacia. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a adolescente e adotar as medidas de proteção necessárias.
A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico-Legal (IML) de Barra do Garças, em Mato Grosso, onde passou por exames. Conforme o relatório citado pela reportagem, o procedimento constatou rompimento do hímen.
Homem foi liberado após ser levado à delegacia
Apesar de ter sido encaminhado à unidade policial, o homem de 57 anos foi colocado em liberdade pelo delegado plantonista. Segundo o relatório, a justificativa foi a inexistência de uma situação recente que possibilitasse a prisão em flagrante.
O delegado informou que seria instaurado um inquérito para investigar o caso. A avaliação naquele momento foi de que os abusos narrados pela adolescente teriam ocorrido anteriormente e, portanto, não configurariam flagrante no momento da abordagem policial.
Goiás registrou três casos de violência contra indígenas
O episódio ocorrido em Aragarças está entre os três registros de violência contra indígenas contabilizados pelo Cimi em Goiás ao longo de 2025. Além do caso de violência sexual, o estado registrou uma ocorrência de lesão corporal e outra de ameaça.
Em todo o Brasil, o levantamento identificou 25 casos de violência sexual contra indígenas no período. Desse total, 20 foram classificados como estupro de vulnerável e tiveram como vítimas crianças menores de 14 anos. Goiás aparece no relatório com uma ocorrência de violência sexual.
O Conselho Indigenista Missionário ressalta que os dados apresentados no levantamento correspondem aos episódios que chegaram ao conhecimento da entidade e, por isso, não necessariamente representam a totalidade dos casos de violência contra indígenas ocorridos no país em 2025.








