Da Redação
Presidente do Missão diz que e-mail oficial do senador foi usado no procedimento e propõe acareação pública para apresentar registros técnicos
O presidente do Partido Missão e candidato à Presidência da República, Renan Santos, acusou a equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ter participado de uma suposta simulação da filiação do parlamentar à legenda. A declaração foi feita na quinta-feira (13), em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo Renan, o partido possui registros digitais que indicariam que o e-mail oficial do senador foi utilizado durante o procedimento.
A polêmica começou depois que Flávio apareceu no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão. A alteração provocou um problema para a campanha do senador e chegou a impedir temporariamente o registro de sua candidatura à Presidência pelo PL. Posteriormente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu a filiação ao Partido Liberal e determinou a apuração do episódio.
Renan sustenta que o Missão possui informações capazes de demonstrar que alguém com acesso ao endereço eletrônico oficial de Flávio confirmou o procedimento de filiação e também acessou o aplicativo de militância da legenda. O dirigente partidário afirma estar disposto a entregar esses registros às autoridades responsáveis pela investigação.
Apesar da afirmação, os dados mencionados por Renan ainda precisam ser analisados pelas autoridades. O eventual uso do e-mail oficial do senador não permite concluir, isoladamente, quem realizou a operação nem comprova que Flávio Bolsonaro tinha conhecimento ou participação no procedimento.
Renan levanta suspeita sobre equipe de Flávio
Além de afirmar que possui registros técnicos, Renan Santos levantou a hipótese de que o episódio possa ter sido provocado para gerar repercussão política favorável a Flávio Bolsonaro. O presidente do Missão relacionou o caso à divulgação de um ato de campanha do senador previsto para domingo (16), em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Renan, no entanto, não apresentou elementos que comprovem essa hipótese. Até o momento, trata-se de uma acusação feita pelo dirigente do Missão e contestada pela campanha de Flávio.
Desafio para acareação pública
Em meio à troca de acusações, Renan Santos propôs uma acareação pública com Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o encontro poderia ocorrer em uma emissora de televisão e serviria para que os dois lados apresentassem informações técnicas relacionadas ao caso.
O presidente do Missão afirmou que estaria disposto a mostrar registros de IP e logs do sistema utilizados durante o processo de filiação. A legenda sustenta que foi vítima de uma tentativa de fraude e afirma que disponibilizará às autoridades os dados digitais que possui para ajudar na identificação do responsável.
O partido também afirma que o gabinete de Flávio Bolsonaro já havia sido informado anteriormente sobre uma tentativa de filiação irregular. Segundo o Missão, o alerta ocorreu antes de o caso ganhar repercussão nacional.
Campanha de Flávio contesta versão
A equipe de Flávio Bolsonaro apresenta uma versão diferente. A campanha considera que o senador foi vítima de uma filiação fraudulenta e integrantes do PL classificaram o episódio como uma “molecagem”. O grupo também questionou a atuação do Missão no caso e solicitou providências à Justiça Eleitoral.
Flávio estava regularmente filiado ao PL antes de aparecer no sistema como integrante do Missão. A mudança inesperada criou um obstáculo para o registro de sua candidatura presidencial, já que a legislação eleitoral estabelece requisitos relacionados ao vínculo partidário para quem pretende disputar as eleições.
TSE descarta ataque hacker
O Tribunal Superior Eleitoral informou que não identificou invasão ou ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral. Conforme as informações divulgadas após a análise inicial, a operação que resultou na alteração da filiação foi realizada por meio de um acesso vinculado ao Partido Missão.
Essa constatação, entretanto, ainda não esclarece quem efetivamente realizou a operação nem como todo o procedimento foi iniciado.
Diante da situação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a filiação de Flávio Bolsonaro ao PL fosse restabelecida. Com a decisão, o impedimento que afetava o registro da candidatura presidencial do senador foi retirado.
O caso deverá continuar sob investigação para identificar quem realizou a filiação irregular e determinar se houve a prática de algum crime. Até que a apuração seja concluída, as acusações feitas pelo Missão e as declarações da campanha de Flávio Bolsonaro permanecem como versões conflitantes sobre a origem do episódio.








