A REDAÇÃO

O Brasil ganhou espaço entre os destinos internacionais que mais cresceram desde o período anterior à pandemia. Dados do relatório OECD Tourism Trends and Policies 2026 apontam avanço de 46% nas chegadas de turistas estrangeiros entre 2019 e 2025, resultado que coloca o país na quarta posição entre as economias analisadas pela OCDE e seus parceiros.

Em 2025, foram 9,3 milhões de visitantes internacionais, alta de 37% na comparação com o ano anterior. No levantamento, apenas Arábia Saudita, Marrocos e Egito apresentaram crescimento superior ao brasileiro em relação a 2019.

O movimento também aparece no perfil das experiências contratadas pelos viajantes. Um levantamento da plataforma Civitatis, elaborado a partir das reservas realizadas no primeiro semestre de 2026, indica que estrangeiros responderam por aproximadamente 77% das atividades reservadas no Brasil pela empresa.

Argentinos lideram procura por experiências no Brasil

A proximidade geográfica tem peso importante no fluxo turístico. Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, somados, representam quase metade das reservas analisadas. Os argentinos aparecem na primeira posição, enquanto os próprios brasileiros ocupam o segundo lugar, considerando as viagens domésticas.

Uruguai completa as três primeiras posições. Entre os visitantes europeus, a Espanha apresenta a maior participação, seguida por mercados como Itália, França e Portugal.

Principais mercados nas reservas:

  1. Argentina
  2. Brasil
  3. Uruguai
  4. Espanha
  5. Colômbia
  6. México
  7. Chile
  8. Paraguai
  9. Peru
  10. Itália

Rio de Janeiro concentra preferência dos estrangeiros

Quando o levantamento considera os destinos escolhidos, o Rio de Janeiro aparece isolado na liderança e concentra praticamente metade das reservas de experiências feitas por estrangeiros. Salvador ocupa a segunda posição, seguida por São Paulo.

O Nordeste mantém presença significativa no levantamento. Além de Salvador, cidades como Recife, Natal e Fortaleza figuram entre as dez mais procuradas. Foz do Iguaçu, Florianópolis, Paraty e Penha, onde está localizado o Beto Carrero World, também aparecem no ranking.

Destinos mais procurados:

  1. Rio de Janeiro
  2. Salvador
  3. São Paulo
  4. Recife
  5. Foz do Iguaçu
  6. Natal
  7. Florianópolis
  8. Penha
  9. Paraty
  10. Fortaleza

Algumas cidades também registraram crescimento nas reservas no início de 2026. Manaus avançou 49% no primeiro semestre, enquanto Recife mais que dobrou o volume registrado no mesmo período do ano anterior, segundo a plataforma.

Turista estrangeiro quer conhecer história e cultura

Visitas guiadas e tours representam 37,7% das reservas de experiências, desconsiderando os serviços de traslado. Passeios a pé por centros históricos estão entre as atividades procuradas em cidades como Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Excursões de um dia aparecem na sequência, incluindo roteiros para as Cataratas do Iguaçu, Arraial do Cabo, Petrópolis e Angra dos Reis. Ingressos para atrações, passeios de barco, ônibus turísticos, shows e atividades noturnas também integram as escolhas dos viajantes.

Entre as experiências individuais citadas pelo levantamento estão roteiros pelo centro histórico do Rio e pela Escadaria Selarón, a viagem de trem ao Cristo Redentor e visitas pelo Pelourinho e centro histórico de Salvador.

Visitantes de países distantes gastam mais

O perfil de consumo muda conforme a origem dos turistas. Viajantes dos países do Cone Sul garantem maior volume de reservas, mas apresentam gasto médio menor, com maior procura por traslados e atividades de curta duração.

Já visitantes provenientes de mercados como México, Colômbia, Peru e Itália apresentam ticket médio por reserva que pode chegar a quase três vezes o observado entre brasileiros e argentinos, segundo a Civitatis. Esses turistas tendem a contratar atividades mais completas e de maior valor.

Os números indicam dois movimentos no turismo brasileiro: enquanto os países vizinhos continuam importantes para sustentar o volume de visitantes, mercados mais distantes representam uma oportunidade para ampliar as receitas geradas por experiências turísticas no país.