LEONARDO VOLPATO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pais (e mães) de adolescentes costumam passar por um período complicado nessa fase da vida de seus filhos. Acontece muito, mas Cauã Reymond, 46, diz que com ele está sendo diferente.
Pai de Sofia, 14, fruto de seu relacionamento com Grazi Massafera, 44, o ator afirma que ela vem passando pela adolescência de forma tranquila, contrastando com o modo como ele agia à mesma época. Em entrevista, Cauã lembra que chegou a ser expulso de diferentes escolas quando era estudante e diz sentir orgulho ao ver a filha dedicada aos estudos e ao esporte.
Ele conta que construiu uma relação baseada no diálogo e no companheirismo, ao contrário da educação rígida que recebeu na infância. “Ser pai é minha maior bênção, muito mais importante do que qualquer sucesso profissional”, diz.
O artista também fala sobre as conversas em casa envolvendo relacionamentos, redes sociais e a exposição por ser filha de dois artistas conhecidos. “Não me vendo como uma pessoa perfeita para minha filha. Falo das inseguranças que tive na idade dela, de como foi minha infância e das dificuldades.”
Confira a entrevista completa:

PERGUNTA – Como a chegada da adolescência mudou sua forma de ser pai?
CAUÃ REYMOND – Uma das formas como eu venho construindo a relação com a Sofia é num lugar de companheirismo, de construir um espaço de confiança, de saber que ela pode falar tudo para mim. E isso foi uma mudança grande, porque a forma como eu fui educado foi diferente.

PERGUNTA – Como você foi criado?
CAUÃ REYMOND – Meu pai brinca que, quando a Sofia nasceu, ele falou que rezou para não ser menino, porque foi duro comigo na educação e tinha medo de eu ser duro com meu filho também. Quando é menina, você aborda a paternidade de forma diferente, mas sem perder a seriedade.

PERGUNTA – Como vem sendo a adolescência da Sofia?
CAUÃ REYMOND – Minha filha não tem situações de rebeldia. Eu fui um jovem muito mais rebelde. Hoje, mais maduro, sei que era uma forma de chamar atenção. Fui convidado a me retirar de todas as escolas por onde passei em um período de três anos, mesmo sendo bom aluno. A gente não cobra dela performance, e ela faz por conta própria. Ela é uma ótima aluna.

PERGUNTA – O que mais te orgulha ao falar sobre sua filha de 14 anos?
CAUÃ REYMOND – O que mais tenho orgulho é do exemplo dela em relação à saúde, à proximidade com o esporte e ao exercício físico. Ela fez judô, dança, encontrou no vôlei um esporte que ama e também na musculação uma forma de se cuidar. Hoje vejo minha filha engajada, e isso está sendo muito legal.

PERGUNTA – Você é um pai mais liberal ou mais conservador?
CAUÃ REYMOND – Defina liberal e conservador.

PERGUNTA – Você deixa ela ir às festas, por exemplo? Costumam ser uma fonte de preocupação para pais de adolescentes.
CAUÃ REYMOND – Eu a levo e a busco nas festas. Sou completamente aberto ao diálogo e às conversas transparentes. Não me vendo como uma pessoa perfeita para minha filha. Falo das inseguranças que tive na idade dela, de como foi minha infância e das dificuldades que ainda tenho hoje. Busco respeitar as individualidades e os desejos dela, mostrando também os desafios das escolhas que ela faz e o que pode dar certo.

PERGUNTA – Vocês conversam sobre namoro e relacionamentos?
CAUÃ REYMOND – Converso com ela sobre essas questões há muito tempo. Às vezes, toco em assuntos sobre os quais ela não está a fim de conversar naquele momento, mas me coloco à disposição. Deixo a porta sempre aberta para temas que parecem não ser tão confortáveis, mas que, quando existe confiança, ficam confortáveis.

PERGUNTA – Como protegê-la da exposição por ser filha de dois artistas?
CAUÃ REYMOND – Não dá para criar em uma bolha e fingir que ela não é filha de famosos. Ela transita bem nesse território e sabe verbalizar do que está a fim ou não. Também conversamos sobre figuras públicas e sobre o fato de que nem tudo o que ouvimos falar é verdade. Ela aprende a questionar.

PERGUNTA – Você é um pai emotivo?
CAUÃ REYMOND – Eu sou o maior chorão. Choro vendo ‘Moana’ com ela, e ela fala: ‘Ah, pai, no cinema não’. Eu me emociono com histórias e não tenho vergonha de chorar na frente dela. ‘Ratatouille’, ‘Divertida Mente’… eu choro muito. Ela gosta de artistas do K-pop, da Sabrina Carpenter, da Taylor Swift, e nós conversamos sobre esses temas também, porque eu transito por esse universo. Somos parceiros.

PERGUNTA – Como você se vê como pai?
CAUÃ REYMOND – Sou um pai carinhoso. Nossa função é construir diálogo, afeto e carinho, mas também educar. Em casa será sempre um território para abraçar qualquer coisa que aconteça com ela. Ao mesmo tempo, é importante prepará-la para quando eu não estiver mais por perto para ela saber identificar situações difíceis quando estiver sozinha.

PERGUNTA – Você costuma dizer que a paternidade mudou sua vida…
CAUÃ REYMOND – Sou apaixonado pela paternidade. Foi a maior bênção ser pai da Sofia, muito mais importante do que qualquer sucesso profissional. Ela é muito sábia. Eu frequento as reuniões na escola dela, quando a agenda permite. O pessoal do colégio em que ela estuda, que é bilíngue, carrega essa tradição de aproximar os pais numa comunidade. Nunca me senti nesse lugar de celebridade na escola.

PERGUNTA – Um outro “filho” é sua série “Jogada de Risco”, projetobtotalmente seu. Como tem sido a repercussão ?
CAUÃ REYMOND – É uma sensação gratificante saber que uma ideia que tive há mais de seis anos criou asas, se tornou realidade e que pude trabalhar com tantas pessoas talentosas. Conseguimos encontrar um assunto tão popular quanto o futebol e desdobrar essa história para o grande público.