Da Redação

A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito que apura o triplo homicídio ocorrido em uma propriedade rural de Goiatuba e revelou novos detalhes que reforçam a tese de premeditação. Segundo as investigações, o principal suspeito, Leonardo José de Araújo, realizou transferências bancárias para um conhecido horas antes do crime e informou que o dinheiro deveria ser utilizado para custear o próprio sepultamento.

O caso aconteceu no dia 28 de julho e terminou com as mortes de Nathan Moraes Dutra Campos, Jaine Barbosa Chaves e Beatriz Soares de Souza, todos atingidos por disparos de arma de fogo. Após os assassinatos, Leonardo tentou tirar a própria vida com um tiro no tórax, foi socorrido e permanece internado sob custódia policial.

De acordo com a investigação, o crime teria sido motivado por ciúmes. A Polícia Civil afirma que o suspeito mantinha um relacionamento com Jaine e passou a desconfiar de um suposto envolvimento dela com Nathan. A apuração indica que Leonardo monitorava as redes sociais da companheira e descobriu que ela estava em uma chácara em Goiatuba, e não em Goiânia, como havia informado.

As investigações também apontam que Leonardo tentou adquirir uma arma de fogo dias antes do crime e voltou a procurá-la na manhã da data dos assassinatos. Horas depois, alugou um veículo e seguiu até a propriedade rural, onde permaneceu por cerca de seis minutos.

No local, Nathan foi morto com disparos na nuca, enquanto Beatriz foi atingida no tórax e na cabeça. Em seguida, o suspeito deixou a chácara levando Jaine ainda viva dentro do carro. O veículo permaneceu parado por aproximadamente uma hora em uma estrada vicinal. Durante esse período, a vítima conseguiu ligar para a mãe e compartilhar sua localização, permitindo que familiares acionassem a polícia. Quando as equipes chegaram, Jaine já estava morta dentro do automóvel após ser atingida por quatro disparos. Leonardo foi encontrado ao lado dela, ferido pelo tiro que disparou contra si.

Outro elemento destacado no inquérito é que o próprio suspeito teria produzido provas do crime. Conforme a perícia, ele registrou imagens das vítimas após os assassinatos, enviou áudios e mensagens para pessoas próximas relatando os crimes em tempo real e reafirmando a intenção de cometer suicídio. Antes disso, também teria compartilhado senhas de acesso aos próprios celulares.

A arma utilizada, um revólver calibre .22, foi apreendida e, segundo os exames periciais, estava em perfeito funcionamento. Os laudos indicam ainda que o armamento foi recarregado ao menos uma vez durante a sequência dos homicídios, reforçando a hipótese de que a ação foi planejada.

Com a conclusão das investigações, Leonardo José de Araújo foi indiciado por um feminicídio e dois homicídios qualificados, com as agravantes de motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas. Somadas, as penas podem chegar a até 100 anos de prisão.

Segundo o delegado Patrick Fernando Carniel, responsável pelo caso, a elucidação do crime foi possível graças à integração entre as equipes policiais, ao trabalho pericial e à análise de provas digitais reunidas ao longo da investigação. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público de Goiás para as providências cabíveis.