Da Redação
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o lutador Rafael Gomes Pereira pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, corrupção de menor e descumprimento de medida cautelar. A denúncia foi encaminhada à 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida e Tribunal do Júri de Goiânia, com pedido para que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo o Ministério Público, o caso aconteceu no dia 29 de maio deste ano, na Praça das Artes, no Jardim Goiás, em Goiânia. A investigação aponta que Rafael agiu com intenção de matar um adolescente de 17 anos durante uma confusão iniciada após uma partida de futebol entre jovens.
Conforme a denúncia, o desentendimento teria começado por divergências anteriores envolvendo adolescentes que participavam do jogo. O MP afirma que o lutador entrou na quadra para confrontar o jovem e, mesmo após a vítima dizer que não queria discutir, passou a agredi-la com chutes e chegou a afirmar: “Hoje eu te mato”.
Na sequência, segundo a Promotoria, o filho do denunciado, também adolescente, desferiu um soco na vítima, que caiu no chão. Aproveitando a situação, Rafael teria aplicado um golpe conhecido como “mata-leão”, provocando asfixia mecânica e mantendo o estrangulamento até que o adolescente perdesse completamente a consciência.
A denúncia sustenta que o acusado continuou pressionando o golpe por tempo prolongado e que a morte da vítima só não ocorreu graças à intervenção de outras pessoas que estavam no local. Ainda de acordo com o Ministério Público, mesmo após o jovem desmaiar, o lutador teria continuado as agressões com chutes na região das costelas.
Para a Promotoria, a conduta caracteriza tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de asfixia mecânica como meio de execução do crime.
Além da acusação de tentativa de homicídio, Rafael Gomes Pereira também foi denunciado por corrupção de menor. O MP afirma que ele teria permitido ou incentivado a participação do próprio filho nas agressões, uma vez que o adolescente também teria atuado diretamente contra a vítima durante a confusão.
O Ministério Público ainda atribuiu ao lutador o crime de descumprimento de medida cautelar. Após ser preso em flagrante, Rafael obteve liberdade provisória durante audiência de custódia realizada em 30 de maio. Na ocasião, a Justiça determinou que ele não poderia se aproximar da vítima nem frequentar a Praça das Artes.
Entretanto, segundo a denúncia, no dia 1º de junho o sistema de monitoramento eletrônico registrou a presença do acusado em área onde sua circulação estava proibida. O descumprimento das restrições impostas pela Justiça contribuiu para a decretação de sua prisão preventiva.
A defesa de Rafael Gomes Pereira informou que irá contestar a denúncia ao longo da instrução processual. Segundo o advogado Emanuel Rodrigues, o lutador não teve intenção de matar o adolescente e agiu apenas para proteger o próprio filho durante a confusão.
De acordo com a defesa, provas e testemunhas serão apresentadas para sustentar a tese de legítima defesa de terceiro. O advogado afirma que Rafael apenas conteve o adolescente, alegando que ele estaria agredindo seu filho no momento da briga.
Agora, caberá à Justiça analisar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Caso ela seja aceita e, ao final da fase de instrução, o acusado seja pronunciado, Rafael Gomes Pereira será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes imputados pelo MP-GO.








