Da Redação
Goiás encerrou 2024 como o estado que mais emprega no setor do comércio em toda a região Centro-Oeste, segundo dados da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da liderança na geração de empregos, o estado aparece na segunda colocação regional em receita bruta de revenda, atrás de Mato Grosso.
O levantamento aponta que Goiás contabilizou 381,9 mil trabalhadores ocupados no comércio, superando Mato Grosso, com 221,6 mil empregados, o Distrito Federal, com 164,6 mil, e Mato Grosso do Sul, que registrou 148,3 mil trabalhadores. Em faturamento, no entanto, o comércio goiano movimentou R$ 295,3 bilhões, enquanto Mato Grosso alcançou R$ 354 bilhões no mesmo período.
A diferença entre os indicadores é explicada pelo perfil econômico de cada estado. Enquanto Goiás possui um mercado fortemente sustentado pelo comércio varejista e pela distribuição de mercadorias, Mato Grosso concentra grande parte de suas operações no comércio atacadista ligado ao agronegócio. Esse segmento movimenta valores elevados em negociações de commodities agrícolas, mas emprega um número proporcionalmente menor de trabalhadores.
Os números do IBGE mostram que o comércio atacadista respondeu pela maior parcela da receita em Goiás. Dos R$ 295,3 bilhões registrados em 2024, R$ 153 bilhões tiveram origem nas atividades atacadistas. O comércio varejista movimentou R$ 110,4 bilhões, enquanto o segmento de veículos automotores e motocicletas respondeu por R$ 31,9 bilhões.
Apesar do maior faturamento do atacado, é o varejo que concentra a maior parte dos empregos. Goiás possui cerca de 79,7 mil empresas comerciais, sendo 57,3 mil ligadas ao comércio varejista. O segmento emprega aproximadamente 264,6 mil pessoas, o equivalente a quase 70% da mão de obra do setor. Já o atacado reúne 13,7 mil empresas e emprega pouco mais de 76 mil trabalhadores.
Outro fator apontado para o desempenho goiano é a localização estratégica do estado. Situado no centro do país, Goiás consolidou-se como um importante polo logístico e de distribuição de mercadorias, especialmente nas regiões de Goiânia e Anápolis, favorecendo a integração entre a indústria, o atacado e o varejo nacional.
A pesquisa também revela a importância econômica do comércio para o estado. Em 2024, o setor desembolsou R$ 11,8 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. A margem de comercialização, que corresponde à diferença entre a receita líquida de revenda e o custo das mercadorias comercializadas, alcançou R$ 57,3 bilhões. Desse total, R$ 26,1 bilhões foram gerados pelo atacado, R$ 25,8 bilhões pelo varejo e R$ 5,4 bilhões pelo comércio de veículos.
No cenário nacional, Goiás ocupa a oitava posição entre os estados brasileiros em receita bruta de revenda. Em todo o país, o comércio movimentou R$ 8,36 trilhões em 2024, distribuídos entre cerca de 1,6 milhão de empresas e 10,6 milhões de trabalhadores, consolidando o setor como um dos principais motores da economia brasileira.






