Da Redação

Goiás pode enfrentar um dos episódios mais intensos de El Niño das últimas décadas. Um estudo divulgado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) aponta que há 81% de probabilidade de formação de um “super El Niño” em 2026, cenário que pode provocar temperaturas mais altas, estiagem prolongada, aumento das queimadas e impactos no abastecimento de água.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando o regime de chuvas em diversas regiões do planeta. No caso do chamado super El Niño, esse aquecimento supera os 2°C em relação à média histórica. As projeções para Goiás indicam uma elevação de aproximadamente 2,2°C durante o período de estiagem, o que coloca o evento entre os mais intensos já monitorados no Estado.

Segundo análises do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), os dados coletados ao longo dos últimos meses mostram avanço consistente do aquecimento do Pacífico. As projeções indicam que a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno aumenta ao longo do inverno e da primavera, alcançando até 95% entre julho e setembro.

Entre os principais efeitos esperados em Goiás estão o calor acima da média, redução das chuvas, baixa umidade relativa do ar e maior ocorrência de incêndios florestais. A combinação desses fatores também tende a prejudicar a qualidade do ar, elevar os riscos à saúde da população e afetar diretamente a produção agrícola, especialmente culturas como soja, milho e feijão, que dependem de chuvas regulares para manter a produtividade.

Outro ponto de atenção é a disponibilidade de água. Com a estiagem prolongada, cresce o risco de redução dos níveis dos rios e reservatórios, aumentando a possibilidade de desabastecimento em diversos municípios goianos. Entre as cidades apontadas como mais vulneráveis estão Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Trindade, Rio Verde, Cristalina, Pirenópolis, Cidade de Goiás, Planaltina de Goiás, Valparaíso, Cidade Ocidental e Goiatuba, além de outros municípios monitorados pela Semad.

Para minimizar os impactos, o Governo de Goiás intensificou o monitoramento hidrológico e meteorológico por meio de uma rede de estações automáticas espalhadas pelo Estado. Também estão previstas ações de fiscalização para proteger mananciais, combater captações irregulares de água e promover campanhas de conscientização sobre o uso racional dos recursos hídricos, além de medidas preventivas para reduzir os riscos de queimadas durante o período mais seco do ano.