SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sabesp e Emae anunciaram nesta segunda-feira (27) que está mantida para a próxima quinta-feira (30) uma assembleia geral extraordinária. Nela, será definida a incorporação completa da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Acionistas minoritários questionam o processo na Justiça.
Desde abril, a empresa de saneamento tenta organizar uma OPA (oferta pública de aquisição de ações) para transformar a Emae em uma de suas subsidiárias.
Hoje, a Sabesp detém 98% das ações ordinárias da Emae, o correspondente a 79,7% do capital da empresa.
“As companhias estão acompanhando o pedido de adiamento e a tutela cautelar e adotando todas as medidas necessárias para assegurar a realização [da assembleia]”, afirma o comunicado conjunto.
No texto, as duas empresas afirmam que uma acionista titular de ações preferenciais sem direito a voto encaminhou pedido à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exigindo o adiamento da assembleia que vai discutir a compra das ações remanescentes da Emae.
Além do processo que corre na CVM, ainda sem data para ser julgado, a mesma acionista protocolou no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) uma ação contra as empresas. Ela requer a suspensão da reunião ou, caso o pedido seja julgado após a assembleia, a suspensão de seu resultado.
A acionista em questão é Julia Talia Otero, que detém cerca de 10% das ações preferenciais (sem direito a voto) da Emae –equivalentes a 6,04% do capital total da companhia. Além dos 79,7% do total de ações detidos pela Sabesp e da parte de Otero, outros 14,2% estão em circulação no mercado.
Ela afirma que os minoritários não tiveram acesso a documentos importantes para votar sobre a operação de compra das ações, prejudicando o processo de avaliação sobre os valores propostos pela Sabesp.
No mês passado, a Sabesp comunicou ao mercado que a OPA voluntária realizada para compra dos papéis da Emae foi encerrada sem a adesão dos acionistas. Foi oferecido o equivalente a R$ 61,83 por ação.
A rejeição da OPA fez com que a companhia partisse para uma incorporação de ações, movimentação já desenhada desde o início do ano. Em casos como esse, o acionista majoritário não depende de uma adesão voluntária por meio de uma OPA e, uma vez aprovada por maioria em assembleia, o processo de compra das ações é resolvido diretamente.
Com a incorporação, os acionistas da Emae que não concordarem com o processo poderão receber um reembolso de R$ 16,79 por ação para encerrarem suas participações na companhia -valor muito menor do que os R$ 61 ofertados na OPA.
Segundo a Sabesp, esse valor de R$ 16,79 corresponde ao valor do patrimônio líquido por ação em 31 de março. Na prática, isso sugere uma depreciação do valor de mercado da companhia desde sua privatização.
Quando a Emae foi leiloada pelo governo Tarcísio de Freitas, em 2024, o fundo Phoenix Água e Energia, dos empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi, adquiriu cada ação por R$ 70,65. Ao todo, a transação que tornou o fundo acionista majoritário da empresa movimentou mais de R$ 1,04 bilhão.
O negócio, no entanto, foi suspenso no início do ano passado, quando Tanure teve dificuldades para prosseguir com o pagamento do empréstimo obtido para arrematar a Emae. Uma nova operação de venda foi realizada com a Sabesp recomprando os papeis do fundo e adquirindo uma parte adicional detida pela Axia Energia (Eletrobras) por um total de R$ 1,13 bilhão.
Essa depreciação justificada pela Sabesp também se explica nos balanços. Em 2024, a Emae apresentou lucro de R$ 29 milhões, caindo para um prejuízo de R$ 133,4 milhões em 2025.
A companhia ainda perdeu dinheiro com aplicações em CDBs do Letsbank (banco que pertencia ao ecossistema do Banco Master e que está em liquidação) em valores superiores a R$ 140 milhões, além de uma reavaliação de ativos e passivos em contratos de concessão de usinas.
A Folha de S.Paulo acionou por email Julia Talia Otero, mas ela não se manifestou até o momento.



