RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O município de Guariba (a 340 km de São Paulo) teve cerca de 70% das casas e dos prédios públicos danificados pela passagem de temporal na sexta-feira (24), estima o prefeito Francisco Dias Mançano (MDB).
A cidade de 38,7 mil habitantes fica na região de Ribeirão Preto, que ainda contabiliza os impactos do evento climático ocorrido às vésperas do final de semana.
“Estou com 70% da cidade destruída. São casas com danos variados e prédios públicos destruídos. Foi isso que aconteceu”, disse Mançano à Folha de S.Paulo. “A maior parte dos endereços teve danos de considerável monta.”
Após o temporal, Mançano se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Ribeirão Preto, e com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Guariba.
O prefeito afirma que entregou a Tarcísio uma estimativa de R$ 46 milhões necessários para os trabalhos de recuperação do município. O gestor projeta que a reconstrução poderá se estender por cinco anos e meio.
Segundo ele, os prejuízos foram provocados por rajadas de vento de 160 km/h, fortes chuvas e queda de granizo.
“Aqui nunca tinha acontecido isso. O inverno, inclusive, é um período de seca. As mudanças climáticas estão acontecendo por causa dos danos que o homem tem causado à natureza”, disse Mançano.
Entre as urgências da cidade estão a limpeza das ruas, que foram atingidas pela queda de árvores e construções, e a manutenção de serviços de assistência social, aponta o prefeito.
A administração municipal anunciou a criação de uma chave Pix para o recebimento de doações ([email protected]).
Equipes da concessionária CPFL Paulista atuavam para restabelecer o fornecimento de energia elétrica nesta segunda-feira (27).
Às 17h50, 1.349 clientes seguiam com o serviço interrompido em Guariba, o equivalente a quase 8% do total (16,9 mil), conforme dados atualizados em um painel da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Em Ribeirão Preto, o percentual sem energia era inferior no mesmo horário (0,43%).
À Folha de S.Paulo o prefeito Ricardo Silva (PSD) afirmou que o município conseguiu retomar atividades nesta segunda-feira a partir da volta do abastecimento de luz para a maioria da população e da desobstrução de ruas e avenidas.
Ele, contudo, disse que o processo de reconstrução vai levar “um tempo”. Na visão do político, o maior desafio será a reconstrução de prédios afetados pelo temporal.
Silva afirmou que o episódio impossibilitou, por exemplo, a abertura de quatro unidades de saúde nesta segunda.
Cerca de 5.000 alunos da rede municipal ficaram sem aula em razão dos impactos nas escolas, e um centro de atendimento à população em situação de rua foi destruído, conforme o gestor.
A Prefeitura de Ribeirão Preto estimou em quase R$ 21,2 milhões o gasto necessário com serviços como limpeza de ruas e corte de árvores depois do temporal.
O número consta em um ofício enviado ao governo federal para o reconhecimento da situação de emergência do município.
A quantia não leva em conta os recursos necessários para a reconstrução da infraestrutura urbana afetada pelo evento climático. Isso deve ser tratado em novos documentos.
“Agora a gente pôde dar uma respirada, mas vamos ter muito trabalho pela frente. A fase mais aguda está passando e, a partir de agora, é uma fase de reconstrução”, afirmou Silva.
O Governo de São Paulo disse nesta segunda-feira que reforçou a assistência às famílias afetadas pelo temporal.
Conforme a gestão estadual, cerca de 11,5 mil itens foram destinados aos municípios de Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont e Pradópolis.
A lista inclui, por exemplo, cestas básicas, colchões, cobertores, kits de higiene e limpeza, água potável e roupas.



