SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – O pastor Vanderson Almeida do Couto, conhecido como Vanderson Trovão, acusa agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) de intolerância religiosa após uma abordagem durante um culto no sábado (25), na Praça da Sé, no centro de São Paulo.
Vanderson publicou o vídeo da abordagem no Instagram e acusou a GCM de “perseguição religiosa”. Na postagem, afirmou que a equipe tinha autorização da prefeitura e que os agentes tentaram impedir o culto.
A gravação mostra os guardas questionando se o documento apresentado permitia o uso de uma caixa de som e um microfone. Eles afirmam que atendiam a uma denúncia de perturbação do sossego.
Um dos agentes diz que o problema era o equipamento de som, “independentemente do conteúdo”. Ele afirma que seria necessária uma licença expressa da Subprefeitura para o uso de amplificador. “Sem isso, a gente tem que pedir pra desligar”, diz na gravação.
Vanderson responde que o som estava baixo e que a autorização abrangia os equipamentos. No vídeo, ele também pede consideração pelo trabalho realizado com pessoas em situação de rua.
Vídeos integrais mostram que o culto foi interrompido durante a abordagem e retomado após a discussão. Um GCM concedeu dez minutos adicionais para compensar o período parado e orientou Vanderson a reduzir o volume. “Vou dar mais 10 minutos para o senhor, porque foi o tempo que nós interrompemos o senhor”, afirmou.
Pastor diz que a ordem inicial foi para encerrar o culto. Esse momento não aparece nas gravações enviadas ao UOL. Nos vídeos, Vanderson relata a ordem aos demais agentes, que depois permitem a continuidade da atividade.
Pastor diz ter visto intolerância na forma como foi tratado e na atitude dos agentes. Vanderson afirmou que eles agiram “na ignorância” e que um dos guardas ficou “me olhando de cara feia”. Ele não relatou ofensas ou comentários contrários à religião evangélica. “Eles demonstraram que eles não gostam. Eu entendi isso”, declarou.
Vanderson é fundador e líder da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério da Libertação, com sede em Maringá (PR). Segundo ele, a instituição foi criada há quase 14 anos.
Igreja realiza cultos mensais na Praça da Sé. O grupo distribui alimentos e Bíblias e encaminha pessoas interessadas em tratamento para uma casa de recuperação mantida pelo pastor no Paraná.
Em 13 anos de cultos na praça, Vanderson diz nunca ter sido tratado dessa maneira pela GCM. Ele relata duas abordagens anteriores, quando usava um megafone sem autorização, mas afirma que obedeceu às orientações e passou a solicitar uma permissão para cada evento. Segundo o pastor, esta foi a primeira controvérsia depois que apresentou uma autorização da Prefeitura.
Na entrevista, Vanderson afirmou que a liberdade religiosa deve valer para todos. Questionado se defenderia o mesmo direito para um sacerdote do candomblé, ele citou também umbanda, católicos, adventistas, espíritas e evangélicos. Em seguida, sustentou que há perseguição contra os evangélicos no país. “Há muita intolerância religiosa contra os evangélicos”, declarou.
Pastor anuncia reunião com Nunes e outras autoridades. Vanderson afirmou que o encontro seria marcado para terça-feira (28) após um convite feito por dois deputados, cujos nomes não informou. Apesar da articulação com os parlamentares, negou ter vínculo político. “Não sou político, não sou candidato, não tenho nenhum envolvimento com política”, declarou.
Vanderson avalia adotar medidas judiciais após consultar advogados. Questionado sobre o que espera como desfecho do caso, afirmou: “Que seja respeitado o direito de todos, de todas as religiões de se manifestar, principalmente nós evangélicos”.
Documentos apresentados por Vanderson comprovam que o evento estava autorizado pela Subprefeitura da Sé. O termo foi emitido em 23 de julho e permitia que o Projeto Missões -Ação Social Evangélica ocorresse no sábado (25), das 12h às 14h.
No pedido de autorização, Vanderson informou que utilizaria uma caixa de som e um microfone. O formulário foi assinado em 25 de junho e encaminhado por e-mail à Subprefeitura em 1º de julho. O pedido foi registrado como processo administrativo dois dias depois.
O termo final, porém, não mencionava os equipamentos de som. O documento autorizava o evento e determinava o respeito aos limites de ruído, mas não esclarecia se a permissão também abrangia a caixa e o microfone.
Autorização exigia respeito aos limites de ruído; não há registro de medição. Também não há informação, até o momento, de que o volume do som tenha ultrapassado o limite permitido.
Pastor atribui ausência dos equipamentos no termo a um erro da Prefeitura. Vanderson reconhece que o documento final não menciona o som, mas sustenta que a autorização abrangia a estrutura informada no formulário.
Prefeitura e GCM foram procuradas para esclarecer abordagem e autorização. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana foi questionada sobre a denúncia, a eventual medição do ruído, o registro da ocorrência e a orientação dada pelos agentes. A Prefeitura e a Subprefeitura da Sé foram demandadas sobre o uso da caixa de som e do microfone e a necessidade de uma licença específica. O texto será atualizado caso haja retorno.



