SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A decisão dos EUA de suspenderem os ataques ao Irã no fim de semana levou o preço do petróleo a despencar mais de 7% nesta segunda-feira (27).
O barril Brent, referência mundial, desabou para US$ 84,65 (R$ 431,20), queda de 7,67%, por volta das 6h45 (horário de Brasília). Às 12h45, a cotação do contrato de outubro, o mais negociado nesta segunda, estava em US$ 86,41 (R$ 440,16), desvalorização de 5,75%. O acordo para entrega em setembro estava em US$ 89,52 (R$ 456), queda de 7,26%, às 10h30.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 83,26 (R$ 424,12), queda de 6,77%, para entrega em setembro, sendo o mais negociado para esse produto. O contrato de outubro estava em US$ 80,43 (), queda de 4,72%, às 10h30.
O movimento foi uma resposta à interrupção dos bombardeios das tropas norte-americanas após 13 noites consecutivas de ofensivas, que foram aumentando de intensidade. A situação levou o Brent a voltar aos três dígitos na semana passada, chegando a US$ 102 na quinta-feira (23), maior valor desde 22 de maio.
Na semana passada, o Brent acumulou uma alta de 11,62%. O alívio na cotação vem após o governo dos Estados Unidos sinalizar mais uma vez que pode tentar uma solução diplomática para encerrar a guerra. Mas o Irã já negou nesta segunda-feira que está negociando um acordo de paz.
Ataques americanos não foram registrados no fim de semana. Em entrevista à Fox News neste domingo, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, disse que o presidente Donald Trump decidiu suspender os ataques no Irã para dar mais tempo às negociações.
Teerã, que vinha respondendo a cada noite de bombardeios americanos com ataques a países vizinhos que abrigam bases militares dos EUA, também suspendeu suas ofensivas nos últimos dois dias.
Neste domingo, um porta-voz do Exército iraniano afirmou que o Irã havia interrompido a retaliação em resposta à decisão americana. Porém, na manhã desta segunda, o porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que não há tratativas por um acordo de paz.
“Mediadores podem transmitir mensagens do lado americano para nós sobre os acontecimentos atuais na região. Mas, no momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos”, esclareceu Baqaei, que desmentiu que o país tomou a iniciativa para negociar, como disse Trump. “Alegações de que o Irã solicitou negociações são invenções que o outro lado divulga de tempos em tempos”, comentou.
Para ele, a conduta dos norte-americanos nos últimos anos “se assemelha à de uma gangue mafiosa que não segue regras nem leis”. “Enquanto esse comportamento dos Estados Unidos continuar, não podemos ter esperança no surgimento de um processo razoável”, disse.
Simultaneamente, o Irã voltou a afirmar que mantém o controle sobre o estreito de Hormuz. A Guarda Revolucionária do Irã teria impedido nesta segunda-feira (27) que seis navios transitassem pelo local, já que elas não teriam pedido autorização para os iranianos, de acordo com uma televisão estatal.
No sábado, o braço armado do regime iraniano havia divulgado que interceptara quatro embarcações no mesmo percurso.
As duas semanas de novos bombardeios dos EUA mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis em todo o sul do país, além de alvos militares. Quatro militares norte-americanos foram mortos pelo fogo de resposta do Irã contra bases norte-americanas em países árabes vizinhos. O Irã também atacou infraestrutura civil em países do Golfo Pérsico, no que afirmou ser uma retaliação aos ataques dos EUA contra alvos civis.
Na semana passada, os aliados houthis do Irã ameaçaram estender a interrupção do abastecimento global de petróleo a uma segunda importante via navegável, anunciando um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que elevou ainda mais os preços do petróleo.
A suspensão da nova campanha de bombardeios dos EUA não deixa nenhuma indicação clara de que tipo de pressão Washington pode exercer para alcançar o objetivo de Trump de quebrar o domínio do Irã sobre o estreito.
Veículos como a CNN e o jornal The New York Times publicaram reportagens mostrando que Trump suspendeu a campanha de ataques após ser aconselhado por assessores militares e civis a não intensificar ainda mais a guerra que ele iniciou ao lado de Israel em fevereiro.
Retomar operações militares de grande escala continuaria sendo uma possibilidade, mas isso representaria riscos devido ao impacto negativo sobre os estoques de munições. Isso incluiria os mísseis interceptadores utilizados pelos sistemas de defesa aérea dos EUA no Oriente Médio.
Na entrevista deste domingo, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, minimizou a situação e disse que as Forças Armadas dos EUA “têm tudo de que precisam”, mas acrescentou que o país “herdou uma situação de estoques reduzidos”.



