SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Uma mulher negou que estivesse grávida, procurou atendimento com dores e acabou dando à luz em Fernando de Noronha, onde partos programados são proibidos desde 2004.

Partos não são permitidos porque a ilha não tem maternidade nem UTI adulto e neonatal. A restrição começou em 2004, quando a maternidade local foi desativada. O Hospital São Lucas, de média complexidade, não conta com UTI.

Proibição não está em lei, mas em uma orientação médica para tirar gestantes da ilha. O protocolo orienta que grávidas deixem Noronha a partir da 28ª semana de gestação para que o parto aconteça em unidades com estrutura especializada no continente.

Moradoras relatam pressão para sair e criticam quando turistas conseguem ficar. Em 2021, mães da ilha disseram que são obrigadas a passar cerca de dois meses fora de casa para ter o bebê. Um parto de uma turista gerou insatisfação na época por ela ter entrado em Noronha com idade gestacional acima da permitida.

Documentário registrou o debate sobre o direito de parir no lugar onde se vive. O filme “Proibido nascer no paraíso”, da jornalista e cineasta Joana Nin, acompanhou o relato de gestantes e discutiu a falta de estrutura e o impacto emocional de ter de sair da ilha para dar à luz.

Paciente chegou ao Hospital São Lucas com dores. A Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha diz que ela procurou atendimento no domingo com dor lombar irradiando para a região pélvica.

Equipe médica identificou a gestação durante a avaliação clínica. A paciente negou a possibilidade de gravidez, mas um exame de Beta HCG confirmou uma gestação de 41 semanas.

Trabalho de parto avançado impediu a transferência para o continente. Uma nota técnica da Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha afirma que não foi possível levar a gestante a tempo para uma unidade hospitalar fora da ilha.

Mãe e recém-nascido ficaram clinicamente estáveis após o parto. A superintendência informou que a mulher mora temporariamente em Noronha e trabalha em uma pousada do arquipélago.

GTA (Grupamento Tático Aéreo) ficou de sobreaviso para uma eventual remoção ao Recife. A Superintendência de Saúde acionou o grupamento caso a equipe médica considerasse necessária uma transferência preventiva.

Recém-nascido deve ir ao continente para exames de rotina. Entre os procedimentos citados estão o teste do pezinho e o teste da orelhinha, feitos fora da ilha.