SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Autoridades da Espanha investigam cerca de 30 partos de brasileiras que chegaram ao Hospital Universitário de Burgos com o mesmo endereço informado e, em alguns casos, acompanhadas pelo mesmo homem.

O Hospital Universitário de Burgos acionou a Polícia Nacional há cerca de um mês após notar repetição de casos desde o começo de maio. De acordo com o jornal Diario de Burgos, as pacientes eram brasileiras, mas diziam morar na Bélgica e em outros países do norte da Europa, onde o pré-natal teria sido acompanhado.

Levantamento interno do hospital apontou repetição do padrão entre 15 e 18 partos em junho e julho. A esse total se somam casos registrados em maio, chegando a cerca de 30 atendimentos com características semelhantes.

Endereços informados na Espanha se repetiam em duas localidades da região de Las Merindades, no norte da província de Burgos. Segundo o relato publicado pelo jornal, as mulheres registravam no hospital duas direções específicas, uma em Medina de Pomar e outra em Villarcayo.

Equipe médica também relatou coincidência no acompanhante em parte dos atendimentos. Um número não detalhado de mulheres chegou à unidade com o mesmo homem, para uma consulta final antes do parto ou já em trabalho de parto, ainda segundo o veículo de imprensa.

Hospital afirma que atende qualquer paciente, independentemente de nacionalidade ou origem. “Somos obrigados a atender. E não só o parto, atendemos o que chega. E nesses casos elas costumam vir para a última consulta e depois já se programa o restante do atendimento”, disseram fontes oficiais do estabelecimento ao Diario de Burgos.

Primeiro caso não chamou atenção por envolver uma brasileira em fase avançada da gravidez, atendida na urgência. A paciente teria informado um endereço em Las Merindades, e disse que vinha da Bélgica, onde a gestação era acompanhada, e acabou dando à luz no município espanhol.

Repetição passou a ser comentada por profissionais de diferentes áreas do hospital. Ginecologistas, pediatras e outros integrantes do serviço notaram a recorrência de mulheres na semana 38, 39 ou 40 de gestação, com o mesmo padrão de endereços e, em alguns casos, o mesmo acompanhante.

Direção decidiu registrar denúncia ao considerar a coincidência incomum. Dois meses e meio após o primeiro atendimento, o hospital disse ainda não saber o motivo do surgimento de parturientes com características similares.