SÃO PAULO, SP E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de palhaço nesta segunda-feira (27), e rebateu as críticas do portenho sobre a economia brasileira.

“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito mais alta. Então não dá para considerar, não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema”, disse o chefe da pasta econômica durante entrevista por telefone ao Rádio Jornal, de Pernambuco.

Durigan respondia a uma pergunta feita sobre a projeção de analistas para uma possível recessão da economia brasileira em 2027.

No último sábado, ao participar da convenção partidária do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Milei disse que “hoje o Brasil caminha para uma crise de dívida derivada do fato de que Lula não fez o ajuste fiscal que a situação exigia, e agora está piorando para ter chances de vencer”, acrescentando que “o esbanjamento, cedo ou tarde, se paga, e esperemos que pague aquele que o causou, perdendo nas urnas em outubro”.

Milei também criticou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca” por não ter autorizado que ele visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado.

Durante à entrevista desta segunda, Durigan atribuiu a taxa de juros brasileira, hoje em 14,25%, à questão fiscal, com a desconfiança de investidores na capacidade do governo de honrar compromissos. Ele também citou o aumento da taxa de juros dos EUA, a Guerra do Irã, à baixa taxa de poupança privada e ao “rentismo atávico” do Brasil.

“Não adianta dar esses vários argumentos parecendo que estou fugindo da raia. O meu papel é fazer com que o fiscal brasileiro melhore”, disse o chefe da equipe econômica. Ele afirmou que é preciso “conter” a regra do arcabouço fiscal que permite atualização dos gastos obrigatórios -hoje o arcabouço permite crescer a despesa pública pela inflação e mais 70% da receita do ano anterior.

Durigan também citou a vinculação do crescimento do salário mínimo ao arcabouço implementada em 2024, e falou em limitar o crescimento dos pisos da saúde e educação “de modo que você não tenha partes crescendo mais do que o bolo”, além de avançar em uma espécie de pacto nacional contra pautas-bomba.