SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os atores Benedict Cumberbatch, Alan Cumming e Benedict Wong publicaram um artigo no jornal The Guardian pedindo que o governo do Reino Unido impeça a fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery. No texto, eles afirmam que o acordo de US$ 111 bilhões representa uma ameaça à cultura britânica, ao setor audiovisual e ao interesse público.
Os artistas apoiam a disposição da secretária de Cultura, Lisa Nandy, de investigar o negócio e destacam que a decisão britânica será independente das análises feitas em outros países. Eles lembram ainda que uma coalizão de 12 estados americanos entrou na Justiça para tentar barrar a fusão por supostos riscos à concorrência. A Paramount concordou em aguardar a decisão judicial antes de concluir a operação.
No artigo, Cumberbatch, Cumming e Wong afirmam que a indústria audiovisual britânica sustenta cerca de 180 mil empregos e movimentou £ 6,8 bilhões, cerca de R$ 45,9 bilhões, em produções no último ano. Segundo eles, uma concentração ainda maior do mercado pode comprometer o trabalho de equipes técnicas, reduzir investimentos em produções independentes e enfraquecer um dos setores culturais mais importantes do país.
Os atores também argumentam que a consolidação das grandes empresas de mídia já vem reduzindo a diversidade de histórias levadas ao público. Como exemplo, citam a queda nas aquisições de filmes independentes no Festival de Sundance entre 2019 e 2025 e a dificuldade enfrentada por documentários premiados para conseguir distribuição comercial.
Outro ponto levantado é o impacto financeiro da operação. A Warner terá que cortar gastos para reduzir sua dívida, 6 o que, na prática, pode significar demissões, cancelamento de produções, menos filmes encomendados e maior aversão a projetos considerados arriscados. Os atores lembram que fusões anteriores no setor já provocaram cortes de empregos e o engavetamento de produções concluídas.
Por fim, eles demonstram preocupação com a concentração de veículos de comunicação, incluindo a Channel 5, a CNN International e os arquivos jornalísticos da CNN e da CBS.




