SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem a presença de Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), a convenção estadual da federação composta por PSOL e Rede Sustentabilidade terminou na noite deste domingo (26) após divergências internas em torno da suplência da ex-ministra Marina Silva (Rede Sustentabilidade), candidata ao Senado.

A previsão inicial era que a convenção -reunião que define os candidatos de um partido ou federação para a eleição- ocorresse antes do ato político, quando as lideranças sobem ao palco para discursar para os militantes presentes, mas não foi o que houve.

Um impasse entre PSOL, Rede e PDT adiou a votação da convenção para depois dos discursos, já no início da noite. A reunião estava marcada para as 14h e o ato político começaria às 16h.

O ponto fulcral é a suplência de Marina Silva, que está numericamente na liderança da disputa para uma vaga no Senado por São Paulo, segundo pesquisa Datafolha deste mês.

A ex-ministra faz parte de uma chapa mais ampla, formada por Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB) e Simone Tebet (PSB). Os dois vão disputar o Governo paulista na condição de titular e vice, nesta ordem, enquanto ela vai tentar a outra vaga ao Senado pelo estado.

Com a probabilidade de Marina e Tebet assumirem ministérios em um eventual governo Lula 4, há um embate na coligação para quem deve ficar as suplências das ex-ministras, em especial a primeira.

Na noite deste domingo, o nome aprovado para a primeira suplência de Marina foi o do vereador Djalma Nery (PSOL), como adiantou a coluna do Painel. A indicação despertou insatisfação no PDT, que declarou apoio à chapa da esquerda em São Paulo. Ao Painel, o partido se disse humilhado e ameaçou lançar nomes próprios. Também há resistência ao nome do indicado em outras frentes.

Pelo calendário eleitoral, os partidos e federações podem fazer convenções para decidir sobre a escolha dos candidatos e a formação de coligações até o dia 5 de agosto. As conversas com a coligação devem continuar nos próximos dias, ainda com possibilidade de debate sobre as vagas da suplência.

A federação de PSOL e Rede também aprovou as candidaturas de 47 deputados federais (10 da Rede e 37 do PSOL) e 66 estaduais (9 da Rede e 57 do PSOL).

BOULOS E ERIKA AUSENTES

Outro fato que marcou a convenção foi a ausência de Boulos e Erika, dois quadros importantes do PSOL. Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, está em Brasília em agenda com o presidente Lula (PT). A assessoria da deputada não respondeu ao questionamento da reportagem.

Questionada sobre as ausências, Marina disse a jornalistas que havia conversado com Boulos há pouco tempo e que estão todos inteiramente conectados no projeto da candidatura ao Senado.

“Obviamente que era muito bom se nós pudéssemos todos estar em todos os lugares, mas não temos o dom da onipresença, então vale a presença política, que está aqui com certeza.”

Boulos e Erika protagonizaram embates recentes dentro da sigla. No início do ano, o PSOL rejeitou uma federação com o PT para as eleições deste ano, uma ideia apoiada pelo ministro, que chegou a discutir com aliados deixar o partido. Outra entusiasta da ideia era Erika Hilton. Mais recentemente, a deputada acusou o PSOL de descumprir um acordo para a distribuição do fundo eleitoral.

HADDAD E MARINA PRESENTES

Sem os dois expoentes, Haddad e Marina assumiram os holofotes da convenção de PSOL e Rede, realizada no hotel Leques Brasil, localizado na região da Liberdade, em São Paulo, em um auditório com capacidade para 300 pessoas.

Haddad distribuiu críticas tanto ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário nas urnas em outubro, quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.

O petista discursou sobre Sabesp, educação e segurança pública, como tem enfocado na pré-campanha, mas também tratou de vincular a gestão estadual a uma imagem de corrupção.

“A gente sempre questionou truculência de força policial”, afirmou o ex-ministro. “Mas você não ouvia falar de corrupção da Polícia Militar, menos ainda da cúpula da Polícia Militar. Pois ele [Tarcísio] botou um sujeito associado ao crime organizado como comandante-geral da Polícia Militar.”

Marina fez acenos ao interior paulista e uma defesa do meio ambiente, afirmando que, sem o verde, não existe agronegócio.

A ex-ministra brincou que a amizade com Haddad começou quando ele era ministro da Educação de Lula e ela, do Meio Ambiente. “Mas amizade entre ministro da Educação e do Meio Ambiente é fácil, né? Difícil é manter amizade sendo ministro da Fazenda e a ministra do Meio Ambiente”, disse ela, arrancando risadas da plateia.

A ex-ministra afirmou que chegou a pensar se a relação entre as áreas seria apenas um “ficar” ou um “namoro” e concluiu que acabou se consolidando como um “namoro” entre a Fazenda e o Meio Ambiente. Haddad levantou-se e deu um abraço nela.