SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Andrea Pirlo se manifestou após ver sua negociação para assumir a seleção da Itália travar devido a uma ligação com uma casa de apostas russa.
Pirlo disse que acompanhou ‘”com grande amargura” as especulações sobre seu nome para o cargo de técnico da seleção italiana. “Nos últimos dias, acompanhei com grande amargura o debate em torno do meu nome e da possibilidade de eu assumir o cargo de treinador principal da seleção italiana”, afirmou, em publicação nas redes sociais.
O treinador afirmou que ficou em silêncio por respeito às instituições e à federação, mas decidiu esclarecer a polêmica. Ele sustentou que sempre trabalhou dentro das regras e dos contratos assinados. “Ao longo da minha carreira primeiro como jogador e agora como treinador sempre conduzi meu trabalho em total conformidade com as leis dos países onde trabalhei e com os contratos que assinei”, disse.
Pirlo também negou que a parceria citada nas críticas tenha qualquer conotação política. “A colaboração profissional no centro da recente controvérsia surgiu durante o período em que trabalhei nos Emirados Árabes Unidos e é estritamente comercial e esportiva”, declarou.
Na sequência, ele afirmou que vê distorção no debate público em torno do tema. “Atribuir significado político a essa colaboração implica que eu defendo opiniões que nunca expressei e que não compartilho”, completou.
O ex-meia ainda disse lamentar que a discussão tenha saído do campo esportivo. “Lamento que uma decisão baseada em critérios esportivos tenha sido rapidamente arrastada para um debate público, o qual acabou por atribuir-me significados e intenções que não refletem quem eu sou”, afirmou.
O QUE ESTÁ POR TRÁS DA POLÊMICA
A declaração ocorre após a imprensa italiana apontar que a ligação de Pirlo com a casa de apostas russa Fonbet virou obstáculo na reta final de um acerto com a seleção. De acordo com o jornal italiano La Gazzetta dello Sport, o treinador é embaixador global da empresa desde outubro.
Segundo a publicação, a federação reavaliou se a associação é adequada para quem vai representar o país no comando da seleção. O jornal citou que o peso maior seria o fato de a empresa ser russa, em meio ao desgaste nas relações entre Itália e Moscou após a invasão da Ucrânia em 2022.
Ainda de acordo com o jornal, Pirlo participou de uma viagem promocional há dois meses ao lado de Marco Materazzi, também embaixador da marca. A exposição em ações do tipo seria vista por parte do meio político italiano como incompatível com o cargo.
Pirlo encerrou a declaração reforçando que não condiciona a relação com o país ao cargo. “Meu amor pela Itália não depende de um cargo específico. Ele faz parte da minha história e da minha identidade, e permanecerá comigo para sempre”, disse.
LEIA O COMUNICADO DE PIRLO NA ÍNTEGRA
“Nos últimos dias, acompanhei com grande amargura o debate em torno do meu nome e da possibilidade de eu assumir o cargo de treinador principal da seleção italiana.
Por respeito às instituições, à Federação e a todos os envolvidos, optei por permanecer em silêncio até o momento. No entanto, sinto que é necessário esclarecer alguns pontos.
Ao longo da minha carreira primeiro como jogador e agora como treinador sempre conduzi meu trabalho em total conformidade com as leis dos países onde trabalhei e com os contratos que assinei. A colaboração profissional no centro da recente controvérsia surgiu durante o período em que trabalhei nos Emirados Árabes Unidos e é estritamente comercial e esportiva.
Atribuir significado político a essa colaboração implica que eu defendo opiniões que nunca expressei e que não compartilho.
Gostaria de agradecer a Maldini e Leonardo pela estima e pela confiança que demonstraram em mim. Estou plenamente ciente de sua competência, de seu profissionalismo e do amor que sempre dedicaram ao futebol italiano.
Lamento que uma decisão baseada em critérios esportivos tenha sido rapidamente arrastada para um debate público, o qual acabou por atribuir-me significados e intenções que não refletem quem eu sou.
Meu amor pela Itália não depende de um cargo específico. Ele faz parte da minha história e da minha identidade, e permanecerá comigo para sempre.”



