Da Redação

O governo federal acompanha com preocupação o desfecho de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos que pode ampliar as tarifas aplicadas a produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A expectativa é que, além da sobretaxa de 25% já anunciada por Washington para determinados produtos, seja imposta uma cobrança adicional de 12,5%, elevando a tributação total para até 37,5% em alguns casos. 

A nova tarifa está relacionada a uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que avalia as políticas adotadas por mais de 60 países no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil integra a lista de nações analisadas, e a decisão final sobre a aplicação da medida deve ser divulgada nos próximos dias. 

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ainda não há definição sobre a forma como a nova cobrança será aplicada. A principal dúvida é se a tarifa de 12,5% será somada aos 25% já previstos ou se substituirá parte das taxas atualmente em vigor.

“O resultado da investigação sai na próxima semana. Só então saberemos se as tarifas serão cumulativas ou se haverá alguma exclusão”, afirmou o ministro. 

A investigação norte-americana aponta que o Brasil estaria entre os países que, na avaliação do governo dos Estados Unidos, não possuem mecanismos suficientemente eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em suas cadeias de importação. Entre os itens monitorados estão alumínio, algodão, componentes eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. 

O relatório do USTR sustenta que o país não aplica de forma efetiva restrições à importação de mercadorias produzidas em condições análogas à escravidão, justificativa utilizada para recomendar a adoção da sobretaxa adicional. 

Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar novas barreiras comerciais. Integrantes da equipe econômica também estudam medidas de apoio aos setores exportadores caso as tarifas sejam confirmadas. 

Atualmente, parte dos produtos brasileiros já será submetida à tarifa de 25%, com vigência prevista para 22 de julho. Alguns itens considerados estratégicos, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural e componentes aeroespaciais, permanecem entre as exceções anunciadas pelos Estados Unidos. 

De acordo com estimativas do governo federal, a nova rodada de tarifas poderá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, representando aproximadamente US$ 7,4 bilhões com base no volume exportado em 2024.