SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em alta nesta quinta-feira (17), enquantos investidores acompanham os desdobramentos da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

A medida foi anunciada na noite da última quarta-feira (15) e encerra a investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, iniciada em julho do ano passado. As tarifas entram em vigor em 22 de julho.

A queda das ações de fabricantes de chips também pressiona os mercados globais nesta manhã, com investidores em busca de ativos mais seguros, como o dólar.

Às 9h12, a moeda norte-americana subia 0,35%, cotada a R$ 5,1165. Na quinta-feira (16), o dólar fechou em alta, cotado a R$ 5,099, enquanto a Bolsa fechou em queda de 1,24%, aos 173.825 pontos. O mercado operou sob forte aversão ao risco após o anúncio das tarifas pelos EUA.

O efeito do tarifaço, no entanto, foi limitado, uma vez que a lista de produtos atingidos pelos EUA trouxe uma série de isenções que preservaram itens importantes da pauta de exportações brasileira. Além disso, a medida já era amplamente esperada pelos investidores.

Entre as empresas do Ibovespa que mais poderiam ser afetadas, segundo os analistas, o movimento foi misto. As ações da Klabin recuaram 0,17%, enquanto as da Suzano subiram 0,53%. Os papéis da Weg recuaram 1,74%, os da Vale caíram 2,05%, os da Embraer recuaram 0,70%.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, avalia que a decisão dos Estados Unidos é prejudicial para ambos os países. Segundo ele, tarifas costumam fazer sentido quando há déficit comercial e o objetivo é reduzir o desequilíbrio nas trocas entre os países. No caso do Brasil, porém, ocorre o contrário: os EUA mantêm superávit na balança comercial.

Nesta quinta, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria faltado com boa-fé nas negociações em torno do tarifaço.

“As declarações do secretário de Estado Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil, são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca de forma grosseira e arrogante o chefe de Estado de um país amigo”, afirmou o ministro

Para os especialistas, o foco dos investidores agora deve estar nos próximos passos das negociações entre os dois países, sendo necessário avaliar se o governo brasileiro adotará uma postura mais pragmática, priorizando os efeitos econômicos da medida, ou se optará por um confronto mais direto com os EUA.

Na manhã desta quinta-feira, o Irã afirmou que o estreito de Hormuz é uma “linha vermelha” inviolável e advertiu que atacará a infraestrutura americana na região do Golfo caso o presidente dos EUA, Donald Trump, cumpra a ameaça de bombardear instalações energéticas iranianas.

Com isso, a escalada das tensões no Oriente Médio e a possibilidade de novos ataques dos Estados Unidos ao Irã seguiram pressionando o mercado de petróleo. Na tarde desta quinta, o barril do Brent era negociado em torno de US$ 84, com queda de 0,78%.