BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um programa de apoio aos empresários afetados pela nova rodada de tarifas dos Estados Unidos.

A medida é uma resposta às novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo Donald Trump e que devem ser implementadas a partir da próxima quarta-feira (22).

Segundo as contas da gestão, o tarifaço anunciado na noite desta quarta (15) atinge 18% das exportações brasileiras ao país, ou cerca de US$ 7,4 bilhões, em dados de 2024.

O governo anunciou a medida em entrevista a jornalistas que reuniu os ministros Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), Márcio Elias Rosa (Indústria, Comércio e Serviços) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente).

Além deles, estavam presentes o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e a secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães.

O governo Trump anunciou a aplicação de uma nova rodada de tarifas de 25% sobre cerca de 4.000 produtos brasileiros.

O vice Geraldo Alckmin descreveu a medida como “injusta e descabida” e repetiu argumentos já utilizados pelo Brasil na discussão do tarifaço, lembrando que os EUA tem superávit comercial com o Brasil, e que o Pix, um dos alvos dos EUA, não prejudicou as empresas de cartão de crédito.

“Se trata de interferência externa indevida”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, acusando a oposição de usar as novas tarifas como “muleta eleitoral”.

Ele disse que o governo reforçará o Brasil Soberano, uma linha de crédito para exportadores afetados pelo tarifaço e pela Guerra no Irã, e disse que os ministros levarão a opção pela Lei de Reciprocidade ao presidente Lula, a quem caberá a decisão final.

No início da madrugada, em nota oficial, o governo condenou a nova rodada de tarifas americanas e disse que iniciará imediatamente os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil retaliar barreiras comerciais injustas.

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, diz a nota publicada pela Presidência da República. “Não há justificativa para medidas unilaterais contra o país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil”.

O governo disse ainda que não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e, mesmo assim, nunca deixou a mesa de negociação. Afirma ter demonstrado que são descabidas as alegações contra o Pix, a regulação de plataformas digitais e as acusações contra o desmatamento.