SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A aposentada Fátima Santos, 72, foi extubada após sofrer intoxicação por peixe em Natal, no Rio Grande do Norte, mas segue na UTI sem previsão de alta.
Fátima está consciente e continua internada na UTI do Hospital do Coração. Segundo a advogada Cynthia Carvalho, amiga da aposentada e uma das pessoas intoxicadas, ela passou por uma traqueostomia, recebe alimentação parenteral e consegue respirar por alguns períodos sem oxigênio suplementar.
Ela apresentou o quadro mais grave entre as três mulheres intoxicadas. A aposentada foi extubada no domingo (12), mas continua internada na UTI e ainda não tem previsão de alta. “Ela já está consciente, já está respirando vários momentos sem o oxigênio, o que já é muito bom. Mas está sem previsão de alta, nem da UTI”, disse Cíntia ao UOL.
Amigas passaram mal cerca de 40 minutos depois de comer uma moqueca. O almoço reuniu Fátima, Cynthia e a mãe dela, a professora aposentada Mirian Carvalho, na casa de Mirian, em Natal.
O prato foi preparado com um peixe indicado por um funcionário da peixaria. Mirian havia procurado meca, mas desistiu porque o pescado não estava com boa aparência. Segundo Cynthia, a mãe acredita que tenha levado para casa uma guarajuba.
O peixe não apresentava alterações de cheiro, sabor ou aparência. A advogada afirmou que a refeição foi preparada normalmente e que não havia nenhum sinal de contaminação. “O peixe estava delicioso. Estava tudo limpinho, tudo arrumadinho, não tinha cheiro de nada”, contou.
Cynthia foi a primeira a sentir os sintomas. Ela começou a passar mal cerca de 40 minutos depois do almoço, induziu o vômito e, em seguida, teve diarreia. Mirian também começou a vomitar, enquanto Fátima apresentou sintomas quando já havia voltado para casa.
As três mulheres foram levadas ao hospital no mesmo dia. Mirian e afilha foram internadas na UTI do Hospital Unimed. A advogada teve alta na segunda-feira seguinte, e a mãe deixou a unidade no dia posterior. Fátima foi levada pela filha ao Hospital do Coração.
O diagnóstico de ciguatera foi confirmado pelos médicos. Uma porção crua do peixe que permanecia congelada foi entregue ao hospital para encaminhamento à Vigilância Sanitária.
A análise do alimento deve verificar a presença da toxina no pescado. A advogada também respondeu a um questionário sobre o almoço, os sintomas e o atendimento recebido. “Deixamos o restante do peixe cru que estava congelado no hospital, que ia ser levado para a Vigilância Sanitária fazer os exames”, disse.
Cynthia e Mirian continuam apresentando sintomas quase três semanas depois da intoxicação. Entre os problemas relatados estão fraqueza, dores no corpo, coceira, cansaço, queimação nas mãos, nos pés e na boca e variações da pressão arterial.
A sensação de queimação chegou a dificultar atividades básicas. A advogada relatou que sentia as mãos, a boca e a sola dos pés queimarem. “Beber água é bem difícil, torna-se uma tortura”, afirmou.
O cansaço ainda limita a rotina. “Se eu faço algo com mais força – e coisas simples, por exemplo, se eu lavo uma louça -, eu já fico muito cansada depois”, afirmou. “Essa recuperação é muito pesada e muito complicada”.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes contaminados com ciguatoxina. A substância altera o funcionamento do sistema nervoso e é produzida por microalgas marinhas que proliferam em recifes de corais e outros ambientes marinhos, segundo a Sesap (Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte).
A toxina não é eliminada pelo cozimento, congelamento ou salga. Ela também não altera o cheiro, o gosto ou a aparência do peixe, o que dificulta a identificação da contaminação antes do consumo.
Os sintomas costumam começar entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão. Podem incluir dor abdominal, náusea, vômitos, diarreia, formigamento, fraqueza muscular, coceira, alterações da pressão e inversão térmica, quando o quente parece frio e vice-versa.
Não existe tratamento específico nem antídoto para a ciguatera. O atendimento é voltado à hidratação, ao controle dos sintomas e ao acompanhamento clínico.




