Da Redação

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) avalia que as reservas de terras raras e minerais críticos do estado podem se tornar um importante ativo estratégico nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos diante da nova rodada de tarifas anunciada pelo governo norte-americano. A entidade divulgou um estudo técnico que analisa os impactos das novas barreiras sobre as exportações brasileiras e goianas.

As medidas, oficializadas pelos Estados Unidos nesta semana, estabelecem tarifa de 25% para uma ampla lista de produtos brasileiros, além de uma alíquota de 12,5% para itens associados a suspeitas de trabalho forçado ou análogo à escravidão. A decisão reacende as preocupações do setor produtivo após os efeitos provocados pelo tarifaço anterior, registrado em 2025.

De acordo com a Fieg, as novas tarifas poderão reduzir significativamente a competitividade de diversos produtos brasileiros no mercado norte-americano. O levantamento considera a elasticidade da demanda e estima que os produtos sujeitos à tarifa de 25% poderão registrar redução de até 30% na demanda, enquanto os itens enquadrados na alíquota de 12,5% podem sofrer retração adicional entre 10% e 15%.

No cenário nacional, a expectativa é de uma queda entre 10% e 15% nas exportações destinadas aos Estados Unidos. Em valores, isso representa perdas próximas de US$ 360 milhões por mês, o equivalente a cerca de US$ 4,3 bilhões por ano.

Apesar do impacto previsto para o país, a Fieg considera que Goiás deve sofrer efeitos mais moderados. Isso porque parte dos principais produtos exportados pelo estado, como carnes, soja e outros itens do agronegócio, ficou de fora da lista das novas tarifas, preservando uma parcela importante da pauta comercial goiana.

Em 2025, Goiás exportou aproximadamente US$ 641 milhões para os Estados Unidos, consolidando o país como um dos principais parceiros comerciais do estado. Durante o tarifaço anterior, as vendas externas goianas apresentaram queda relativamente pequena, de cerca de 3%, e voltaram a crescer após a suspensão das barreiras comerciais no início de 2026.

Mesmo com esse cenário mais favorável, a federação alerta que o crescimento das exportações estaduais poderá perder força caso as novas medidas permaneçam em vigor, mantendo o volume mensal embarcado em torno de US$ 80 milhões.

Entre os pontos considerados estratégicos pela entidade está o potencial de Goiás na produção de terras raras e minerais críticos. Esses insumos são fundamentais para a fabricação de baterias, equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, turbinas eólicas e tecnologias de defesa, tornando-se cada vez mais disputados pelas principais economias do mundo.

Segundo a Fieg, esse potencial pode fortalecer o poder de negociação brasileiro junto aos Estados Unidos, abrindo espaço para acordos de cooperação, ampliação de investimentos e parcerias voltadas ao desenvolvimento da cadeia mineral em Goiás.

A entidade ressalta, porém, que o ambiente político e comercial permanece instável e que novas decisões dos governos brasileiro e norte-americano poderão alterar o cenário das exportações nos próximos meses.