Da Redação

A condução da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a ser alvo de divergências dentro do Partido Liberal. Integrantes do grupo político ligados ao pré-candidato intensificaram as críticas ao senador Rogério Marinho (PL-RN), responsável pela coordenação da campanha, e passaram a defender mudanças na estratégia eleitoral para as eleições de 2026.

A insatisfação ganhou força após a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Nos bastidores, aliados afirmam que Rogério Marinho concentrou as principais decisões políticas e estratégicas da campanha em um grupo restrito, reduzindo a participação de outros nomes influentes do bolsonarismo na definição dos rumos da pré-candidatura.

Segundo interlocutores da campanha, o descontentamento também alcançou integrantes próximos ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Apesar disso, pessoas ligadas ao parlamentar negam qualquer articulação para enfraquecer Marinho ou promover mudanças na coordenação da campanha.

As críticas se intensificaram nas redes sociais após manifestações do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten. Em publicação, ele afirmou que a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não apresenta uma estrutura consolidada e sugeriu uma ampla reformulação da equipe responsável pela estratégia eleitoral.

Entre as propostas apresentadas por Wajngarten está a ampliação da participação de especialistas em comunicação, marketing e planejamento estratégico, além da inclusão de representantes de setores considerados fundamentais para o eleitorado conservador, como agronegócio, segurança pública, saúde, educação, varejo e lideranças religiosas.

Apesar das cobranças, integrantes da coordenação da campanha descartam alterações na estrutura atual. Nos bastidores, aliados de Rogério Marinho afirmam que as críticas partem de pessoas que não foram incluídas na equipe oficial e que agora buscam espaço por meio de manifestações públicas.

Lideranças do Partido Liberal também saíram em defesa do senador potiguar. O líder da bancada do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou as críticas como injustas e destacou a experiência política de Marinho na condução da pré-campanha.

No Senado, o líder do partido, Carlos Portinho (PL-RJ), também manifestou apoio ao coordenador. Segundo ele, Rogério Marinho possui credibilidade dentro da legenda e reúne as condições necessárias para comandar a estratégia eleitoral de Flávio Bolsonaro.

Enquanto isso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem adotado um discurso de conciliação. A avaliação da direção do partido é de que eventuais divergências precisam ser superadas para preservar a unidade da direita e evitar desgastes às vésperas do início oficial da campanha eleitoral.

Mesmo diante das críticas, a cúpula da pré-campanha afirma que não há previsão de mudanças na coordenação política. A estratégia, segundo integrantes do grupo, permanece a mesma, com Rogério Marinho à frente da articulação nacional da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.