Da Redação

Uma nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana revelou mudanças importantes na disputa presidencial de 2026. O levantamento indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL), que historicamente mantém forte apoio entre o eleitorado evangélico, registrou queda significativa nesse segmento, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua presença entre esses eleitores.

Os dados mostram que Flávio perdeu nove pontos percentuais entre os evangélicos em comparação com o levantamento anterior, enquanto Lula avançou sete pontos no mesmo grupo religioso. A movimentação é considerada relevante por analistas políticos, já que os evangélicos representam uma das bases eleitorais mais estratégicas do campo conservador.

Mudança reduz vantagem do senador

Embora Flávio Bolsonaro continue liderando entre os evangélicos, a distância para Lula diminuiu. O segmento vinha sendo apontado como um dos principais pilares da pré-candidatura do senador, que desde o início do ano intensificou agendas com lideranças religiosas, visitas a igrejas e participação em eventos voltados ao público cristão.

Pesquisas anteriores chegaram a mostrar Flávio com mais de 60% das intenções de voto entre evangélicos em determinados cenários, enquanto Lula aparecia abaixo dos 25%. O novo levantamento, porém, aponta uma redução dessa vantagem, indicando uma disputa mais equilibrada do que a observada nos primeiros meses do ano.

Lula cresce em segmento considerado difícil para o PT

O avanço de Lula entre os evangélicos chama atenção porque esse grupo costuma apresentar índices de rejeição mais elevados ao presidente e ao Partido dos Trabalhadores. Historicamente, o eleitorado evangélico tem demonstrado preferência por candidatos ligados à direita e ao conservadorismo.

Analistas avaliam que fatores como programas sociais, melhora na percepção econômica entre parte da população e a busca do governo por aproximação com lideranças religiosas podem ter contribuído para o crescimento do presidente nesse segmento.

Pesquisa mostra mudanças em outros grupos

Além do recorte religioso, a Quaest identificou alterações em outros segmentos do eleitorado. Segundo o levantamento, Lula também apresentou crescimento entre eleitores independentes e em faixas de renda específicas, enquanto Flávio registrou perdas em grupos que anteriormente demonstravam apoio mais consolidado à sua candidatura.

Os números reforçam a percepção de que a corrida presidencial permanece aberta e sujeita a mudanças, especialmente diante do longo período que ainda separa os pré-candidatos da eleição de outubro de 2026.

Disputa pelo voto religioso ganha importância

A batalha pelo eleitorado evangélico tem sido considerada uma das principais frentes da campanha presidencial. O grupo representa cerca de um quarto do eleitorado brasileiro e exerce influência decisiva em diversos estados. Por isso, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro vêm investindo em estratégias específicas para conquistar ou manter apoio nesse segmento.

Nos últimos meses, Flávio participou de encontros com pastores e eventos religiosos em diferentes regiões do país. Lula, por sua vez, intensificou o diálogo com representantes de igrejas e procurou destacar pautas voltadas à inclusão social e ao combate à pobreza.

Cenário segue indefinido

Apesar da queda registrada entre os evangélicos, Flávio Bolsonaro continua figurando entre os principais nomes da direita para a disputa presidencial. Já Lula mantém competitividade em diferentes cenários eleitorais e busca ampliar sua base de apoio em segmentos onde tradicionalmente encontra mais resistência.

Com mais de três meses até o início oficial da campanha, especialistas avaliam que oscilações como as registradas pela Quaest devem continuar ocorrendo, tornando o cenário eleitoral cada vez mais dinâmico e imprevisível.