BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal cumpriu, nesta quarta-feira (10), mandados de busca e apreensão contra em operação que investiga suspeitas em aplicação de recursos do fundo previdenciário de Paulista (17 km do Recife) em letras financeiras do Banco Master.
A operação, que se chama Take Over, cumpre mandados expedidos pela Justiça Federal em Paulista, no Recife e no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, “as apurações indicam que valores superiores a R$ 3 milhões teriam sido direcionados a investimentos com grau de risco por meio de decisões em desacordo com as normas legais e com os procedimentos de governança exigidos para a administração de recursos previdenciários”.
O instituto de previdência e a Prefeitura de Paulista dizem que os investimentos foram feitos em gestões anteriores e que colaboram com as investigações.
Uma das suspeitas é de que decisões estratégicas foram tomadas de forma isolada e sem respeitas critérios de segurança, liquidez e transparência.
“A investigação busca esclarecer se a conduta caracteriza gestão temerária ou fraudulenta e apurar eventual prática de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, além do recebimento de vantagens indevidas pelos gestores do fundo”, diz a PF, em nota.
Institutos que pagam aposentadorias a servidores municipais e estaduais aplicaram R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Master sem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
Além do fundo de Paulista, também já foram alvos de operações fundos como o Rioprevidência, do estado do Rio de Janeiro, e Amprev, do Amapá.
Em nota, Giovanna Cordeiro, diretora-presidente do PreviPaulista diz que colaborou com a operação da PF, e que o capital investigado ocorreu em fevereiro de 2024, durante a gestão anterior do instituto. Segundo a autarquia, as irregularidades já haviam sido identificadas e comunicadas aos órgãos de controle antes da ação policial.
Segundo o instituto, a aplicação em letras financeiras do Banco Master ocorreu por iniciativa do então diretor-presidente, “sem deliberação colegiada prévia do comitê de investimentos, sem consulta à consultoria de investimentos e sem a elaboração do atestado de compatibilidade exigido pelas normas aplicáveis”, diz.
O PreviPaulista afirma que o aporte de R$ 3 milhões figura entre os menores valores de toda a relação nacional de investimentos em títulos do Banco Master. De acordo com o fundo, o pagamento dos benefícios previdenciários aos servidores não foi e não será afetado.
Já a prefeitura de Paulista afirma que a investigação da PF sobre investimentos no Banco Master em 2024 “refere-se a atos praticados na administração anterior e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos”, afirma em nota. Segundo a prefeitura, todas as informações e documentos solicitados estão sendo disponibilizados aos órgãos competentes, em colaboração com a investigação.


