BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (10) que lançará um novo programa para combater o roubo de celulares. Trata-se de um sistema que envia mensagens a celulares roubados, instruindo o atual portador a devolver o aparelho.
A lógica do programa é inviabilizar o comércio de telefones móveis roubados, o que desestimularia os crimes. O chefe do governo se referiu à medida como “Telefone Seguro”.
“Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho para quem tiver com o telefone roubado devolver, porque se não poderá ter consequências”, disse Lula. O petista afirmou que pretende que os pontos de devolução sejam agências dos Correios em vez de delegacias, para não intimidar os portadores atuais dos equipamentos.
O presidente da República relatou que analisa a proposta há cerca de dez dias, mas que receava prejudicar pessoas pobres que tivessem comprado celulares nessas condições. Ele já havia declarado publicamente resistência à proposta por esse motivo.
“Eu sei que rico não compra telefone roubado, mas eu sei que os pobres compram. Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta. Entretanto, essa inquietação econômica de quem está com o telefone roubado mexeu com a minha cabeça”, declarou o petista.
“Mas eu não posso ficar com essa dúvida, porque o Telefone Seguro vai deixar 200 milhões de brasileiros tranquilos de que eles não vão ter mais o celular roubado”, disse Lula.
Esse não é a primeira tentativa do governo petista de conter os roubos a telefones móveis. Antes, foi lançado o programa Celular Seguro, um aplicativo que bloqueia aparelhos roubados, furtados ou extraviados, inutilizando-os.
A lógica da nova medida de Lula é diferente do programa já lançado. Agora, a ideia é editar, em escala nacional, um programa criado no Piauí, estado governado pelo PT. O sistema de recuperação de aparelhos do governo local reduziu em 53% o roubo e o furto de celulares no Piauí.
O secretário de Segurança Pública do Piauí à época era Francisco Lucas, conhecido como Chico Lucas. Ele hoje é secretário nacional de Segurança Pública, um dos cargos mais importantes do Ministério da Justiça.
Lula busca uma marca para seu governo na área da segurança pública. Ele e seus aliados avaliam que o tema será um dos principais na eleição deste ano, quando o chefe do governo tentará obter um novo mandato como presidente da República.
As forças políticas de esquerda têm dificuldade histórica para emplacar um discurso sobre segurança pública que convença o eleitorado. Ao mesmo tempo, políticos de direita adotam tom linha-dura que encontra ressonância na sociedade.
O principal adversário de Lula na eleição deste ano deve ser o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele acusa o petista, por exemplo, de defender criminosos e proteger facções do crime organizado.
O presidente da República busca formas de responder a essas acusações. As pesquisas de opinião mostram que a segurança pública está entre as principais preocupações dos brasileiros.


