SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um relacionamento abusivo não é uma ferida fácil de cicatrizar, e a atriz Mariana Sena, 31, sabe bem disso. Ela usa a experiência negativa pela qual passou na vida real como uma espécie de laboratório para viver Elenice em “Quem Ama Cuida” (Globo).
Na novela de Walcyr Carrasco, a atriz paulista interpreta uma dona de casa dedicada à filha, Dafne (Arlyane Carvalho), e ao marido, Tom (Allan Souza Lima). Mas essa relação amorosa apresenta gatilhos tóxicos bem parecidos com os que a atingiram na vida pessoal.
“Eu achava que construiria uma vida a dois, mas na verdade estava vivendo uma grande manipulação psicológica e emocional. Então, para mim, é uma personagem super sensível. Isso acaba aumentando a minha responsabilidade para interpretá-la. A Elenice pode despertar em outras mulheres a possibilidade de se salvarem e saírem desse tipo de relação”, afirma.
A atriz alerta que um relacionamento que inclui violência psicológica, moral, sexual, patrimonial e física, nem sempre começa com ataques ou agressividade. Por isso, diz ela, é preciso reparar nos sinais.
“Às vezes, a pessoa enxerga, mas ignora ou não quer acreditar, não consegue se desvincular”, comenta. “Começa com uma grosseria, comentários sobre a roupa, maquiagem. Depois, ele pega seus pontos de fragilidade e começa a jogar comentários com relação a isso. É apenas um exemplo”.
Cenas como essas, que no caso de Mariana já foram vivenciadas numa relação fora da dramaturgia, são as mesmas que poderão ser vistas com maior assiduidade em “Quem Ama Cuida”. Tom é possessivo e abusivo, mas que também demonstra outro lado justamente para gerar essa confusão nos sentimentos da parceira.
“Além do meu relato pessoal, fiz muita pesquisa, li sobre o tema e tive diálogos e conversas com pessoas próximas. Infelizmente, é uma triste realidade. São muitas mulheres sofrendo violência diariamente. Quanto mais pessoas assistirem à novela, quanto mais ‘Elenices’ pelo Brasil afora se identificarem, mais eu vou me sentir tocada por ajudar.”
Nesse contexto, Mariana conta que tem conseguido auxiliar nos traumas de algumas mulheres que a procuram pelas redes sociais. Coincidentemente, ela diz que uma de nome Elenice mandou um relato. No caso dela, conseguiu se livrar da relação abusiva e hoje é mais feliz.
“Fico sempre muito mexida quando recebo esses depoimentos e tento agir da maneira mais acolhedora possível. Meu conselho é: procure ajuda, se proteja ao máximo. Acabo rezando também porque sou uma candomblecista de muita fé. Rezo para que a pessoa consiga sair com segurança e, principalmente, viva.”
A novela “Quem Ama Cuida” é a estreia da atriz no horário nobre da Globo. Antes, foi a cabeleireira Glorinha, a melhor amiga de Beatriz (Duda Santos), em “Garota do Momento” (2024), e interpretou a sonhadora Lorena em “Mar do Sertão” (2022), ambas às 18h.
Além da novela das 21h, ainda neste ano Mariana se prepara para ser acompanhada em outros dois grandes projetos: a série “Jogada de Risco”, do Globoplay, e a estreia nos cinemas com o longa “Antártida”, produzido pelos Estúdios Globo.
Mas nada disso seria possível se a atriz tivesse seguido o caminho da Fonoaudiologia na USP (Universidade de São Paulo), curso que interrompeu no último semestre para se dedicar à atuação.
“Eu amo a fonoaudiologia. Acho uma profissão incrível, delicada e sensível, que trabalha com as sutilezas da comunicação. Uso todos os dias esse recurso para me aquecer e na construção de uma personagem com foco no tom de voz, prosódia, articulação. Mas não me arrependo, me encontrei na dramaturgia e pretendo seguir para sempre”, conta.


