SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Justiça do Paraná condenou Marlon Ferreira Lemes a 23 anos e três meses de prisão por ter planejado e ordenado um ataque com soda cáustica contra a ex-namorada Isabelly Aparecida Ferreira Moro em Jacarezinho (PR), em maio de 2024.
Júri popular decidiu, por maioria, condenar o homem por tentativa de feminicídio triplamente qualificado. As qualificadoras adicionadas foram crime por motivo fútil, com emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A decisão foi divulgada ontem pelo tribunal paranaense e o homem, que já está preso, deverá cumprir a pena em regime fechado. A defesa ainda pode recorrer.
Juiz apontou que Marlon já tinha antecedentes criminais. Também indicou que o crime foi cometido porque o homem não aceitava o fim do relacionamento com Isabelly, que ficou internada após o ataque.
Para a justiça, Marlon coagiu a autora do crime, a então namorada Débora Custódio, a praticar o ataque ainda quando ele estava preso por outro crime. Ela está presa em uma unidade prisional do estado. O homem também foi condenado a pagar as custas do processo e uma indenização mínima de R$ 50 mil à vítima por danos morais.
Débora também estava sendo julgada na mesma sessão de Marlon, porém, os advogados dela deixaram o plenário do Tribunal do Júri. Em nota, o advogado Jean Campos afirmou ao UOL que não abandonou o caso e continua atuando na defesa da cliente. Ele ressaltou que a saída do julgamento ocorreu por entender que houve graves violações contra a ampla defesa. A acusada passará por um novo julgamento, ainda sem data.
“Entre as irregularidades verificadas, destaca-se a impossibilidade de acesso adequado a materiais produzidos no processo e utilizados durante o julgamento, bem como a ausência de disponibilização dos quesitos que seriam submetidos ao Conselho de Sentença, impedindo que a defesa pudesse exercer plenamente sua atividade perante os jurados”, disse Jean Campos, advogado de Débora, ao UOL
Defesa de Marlon declarou ter recebido a decisão com respeito, mas irá recorrer. As advogadas Andresa Bocamino, Tatiane Passos e Cristian Tenório afirmaram que entendem que ainda existem questões jurídicas relevantes do caso para apreciação das instâncias superiores.
“Neste momento, mantém-se a confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal, aguardando a integral análise da decisão para definição das providências processuais pertinentes”, disseram advogadas de Marlon.
Investigações foram feitas com ajuda de imagens de câmeras de segurança. Imagens do dia 22 de maio de 2024 mostram Isabelly na rua após sair da academia. Ela é atacada por uma pessoa usando uma peruca loira.
Um dia após o crime, familiares de Débora informaram desaparecimento dela. “Relataram que ela tinha desaparecido, não retornava para casa desde o dia dos fatos, que não era comum, porque ela era muito zelosa com os filhos”, explicou a delegada Caroline Fernandes.
Na casa de Isabelly, a polícia encontrou as roupas e a peruca usadas no dia do crime. “A avó [da suspeita] foi questionada e disse que tinha duas perucas em casa. Mas notou que uma havia sido levada pela neta, justamente na manhã que antecedeu o crime”, divulgou a Polícia Civil na época.
Em junho de 2024, o MPPR (Ministério Público do Paraná) apontou Marlon como o mandante do crime e denunciou a autora do crime. Débora Custódio confessou ter jogado soda cáustica no rosto de Isabelly.
Polícia teve acesso às mensagens do celular de Débora. Segundo a denúncia do MP, o ex-companheiro de Isabelly planejou o crime e, mesmo preso na ocasião, convenceu Débora a aderir ao plano e executá-lo.
Os áudios armazenados no celular demonstram que Marlon foi o mentor intelectual do crime. O denunciado já tem condenações por crimes anteriores. Ele foi preso preventivamente em 23 de fevereiro de 2023 por roubo e uso de arma branca, crime pelo qual foi condenado em primeiro grau à época do crime contra Isabelly.


