SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta terça-feira (9), acompanhando a desvalorização da moeda norte-americana no exterior.

O movimento reflete a recuperação dos ativos de maior risco nos mercados globais, com investidores em busca principalmente de ações do setor de tecnologia. Além disso, o mercado acompanha o noticiário sobre a guerra no Irã, após uma trégua anunciada por Israel e Irã.

Às 11h43, a moeda norte-americana caía 0,2%, cotada a R$ 5,169. Já a Bolsa avançava 0,94%, a 170.263 pontos, puxada pelo setor bancário.

“O movimento reflete um ambiente externo de maior otimismo e apetite por risco, favorecendo o desempenho de ativos mais arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, caso do real, o que exerce pressão baixista sobre a nossa taxa de câmbio”, afirma Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.

A maior disposição para ativos de risco tem como pano de fundo a guerra no Oriente Médio. Irã e Israel indicaram disposição na segunda-feira para conter a escalada de ataques que quase enterrou o cessar-fogo anunciado em abril.

Os dois países anunciaram a suspensão dos ataques entre si, mas advertiram que voltarão a retaliar caso sejam alvos de novas ofensivas.

O recuo ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigir publicamente que os dois países interrompessem os ataques e afirmar que um acordo para encerrar o conflito continua ao alcance. “Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”, escreveu o republicano na rede Truth Social.

Em outro post, Trump disse as negociações estão avançando, embora “sujeitas a ignorância ou estupidez que atrapalham o caminho”. Os confrontos elevaram os preços do petróleo no mercado internacional e aumentaram a pressão sobre o presidente, que enfrenta cobranças internas para colocar fim à guerra.

Nesta terça, porém, o petróleo Brent exibe baixas. Referência internacional para as cotações da commodity, o barril era negociado a US$ 91,57 (R$ 472,32), queda de 2,84% em relação ao fechamento da véspera. O WTI (West Texas Intermediate) usado nos EUA, seguia a mesma tendência e estava a US$ 88,63 (R$ 457,15), perda de 2,92%, para o contrato de julho.

A queda do petróleo acontece a despeito de novos ataques de Israel ao sul do Líbano nesta terça, apesar da trégua firmada na véspera.

O comando das Forças Armadas do Irã anunciou o fim dos ataques contra Israel, logo após as postagens de Trump, mas advertiu que responderá com medidas “muito mais duras e contundentes” em caso de retomada de bombardeios israelenses no Líbano.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã continua comprometido com a via diplomática, mas acrescentando que o país “não recuará diante de qualquer ameaça”. Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã está trocando mensagens com Washington em um ambiente de “extrema desconfiança”.

O governo iraniano já declarou que uma das exigências para o cessar-fogo definitivo é a suspensão de ataques de Israel contra o Líbano. Os mercados monitoram de perto a escalada de tensões na região.

Os investidores também seguem atentos aos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos, de acordo com Fabio Louzada, economista, planejador financeiro e fundador da B7 Business School. “A manutenção das tensões envolvendo tarifas e comércio internacional continua alimentando preocupações sobre crescimento global e inflação mais alta.”

Ele afirma ainda que o mercado também acompanha a trajetória dos juros americanos. “A sinalização de manutenção de juros elevados por mais tempo fortalece o dólar globalmente e reduz o interesse por mercados emergentes.”

Nas praças acionárias, as preferências de alocação seguem em ações de tecnologia. O setor ficou sob pressão na semana passada, depois que uma previsão decepcionante da Broadcom sobre o mercado de inteligência artificial alimentou preocupações sobre as altas valorizações no setor, particularmente entre as fabricantes de chips, que tiveram uma forte disparada neste ano.

Na Bolsa brasileira, o apetite por risco se traduz na valorização do setor bancário. Bradesco, Itaú e Santander subiam cerca de 2% cada, e Banco do Brasil avançava 1,4%.